Poder e adestramento


| Tempo de leitura: 3 min

Diante da página em branco, ou da tela em branco do computador, fico a meditar se o leitor já não se entedia com meus escritos. Nos últimos tempos, outra coisa não tenho feito que não seja tentar entender o que se passa nesse País, através do estudo e da pesquisa, e também escrever sobre os mais recentes acontecimentos. E me ocorre que isso pode causar desgosto às pessoas de boa vontade.


De fato, são críticas e exposições contundentes, mas que devem ser ditas, tendo em vista que o silêncio é a mais covarde das omissões. Li a pouco que 'Uma lei constitutiva da mente humana concede ao erro o privilégio de poder ser mais breve do que sua retificação'. É a mais pura verdade. A mentira e o engano se tornaram regras de conduta sistematizadas em um processo de alienação coletiva.


Valem-se das mais 'formidáveis ampliações de técnicas retórico-dialéticas' para incutir na mente dos indivíduos as mais deslavadas mentiras disfarçadas de verdades. O filósofo Olavo de Carvalho propõe um questionamento: 'Até quando as atrocidades da direita serão fiadoras das mentiras da esquerda'? Até quando o 'império da falsidade' vai valer?


Há um apelo subentendido em todos os programas e em todas as propagandas televisivas no sentido de imbecilizar as pessoas; matar nelas qualquer possibilidade de reação e de questionamento acerca do contexto político atual. Avançam no sentido de 'amestrar o povo para o socialismo antes de fazer a revolução'.


No panteão da esquerda há um santo. Santo Antônio Gramsci, ele que, de acordo com Olavo de Carvalho, tem como principal proposta 'uma revolução cultural que subverta todos os critérios admitidos do conhecimento, instaurando em seu lugar um 'historicismo absoluto', no qual a função da inteligência e da cultura já não seja captar a verdade objetiva, mas apenas 'expressar' a crença coletiva, colocada assim fora e acima da distinção entre verdadeiro e falso'.


O líder comunista italiano consegue desenvolver uma metodologia de tomada do poder totalmente ocidentalizada, muito diferente dos meios utilizados por Lenine e Stálin na ex-União Soviética. Nada de violência física. No máximo atentados contra a inteligência e a liberdade de pensamento e a manipulação da opinião pública.


Armam-se de técnicas sutis e requintadas de estratagemas dialéticos, sendo uma delas os 'Pré-Silogismos', onde 'as vítimas vão aceitando aqui e ali premissas parciais espalhadas pela propaganda e demais espetáculos, aparentemente desconectadas entre si, mas que sem perceber o público é levado à conclusão desejada pelo manipulador'.


Essa referência está descrita no livro Como Vencer um Debate sem Precisar ter Razão, de Arthur Schopenhauer, comentada por Olavo de Carvalho e que se presta a esclarecer acerca do que está na pauta e na agenda política nacional.


Essa técnica de discurso é uma das mais poderosas porque faz com que o ser pensante acredite estar raciocinando por si mesmo e com isso passa a 'assumir a responsabilidade pela crença que lhe foi incutida'. É o que consta da Cartilha de Gramsci, ou seja, primeiro a hegemonia, que é o domínio psicológico sobre a multidão, depois a suave e imperceptível tomada do poder.

 

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários