Na sessão da última terça-feira na Câmara de Vereadores de Franca uma aprovação de projeto de reajuste salarial para o funcionalismo público municipal foi motivo de controvérsia até mesmo entre alguns parlamentares. Indignada com a tentativa de passar um questionável auto-aumento salarial - e como parlamentar já curtida pela interpelação do Ministério Público sobre reajustes similares feitos na penúltima legislatura, quando foram condenados em primeira instância a devolver R$ 185 mil aos cofres públicos - a vereadora Graciela Ambrósio foi das poucas (três no total - leia mais na página A-3) a votar contra o aumento. Ela, inclusive, insistiu pelos métodos convencionais tentando barrar o aumento, argumentando, mas foi ignorada pelos companheiros de casa.
O objetivo do Executivo ao apresentar o projeto para apreciação da Câmara em regime de urgência foi conceder reposições salariais aos servidores municipais antes que o prazo estabelecido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) chegasse ao fim, impossibilitando aos governos a concessão de aumentos salariais com possível motivação eleitoreira. Aparentemente aproveitando-se do projeto da Prefeitura os edis consideraram justo que o reajuste fosse repassado aos detentores dos cargos executivos e legislativos (a si mesmos) a título equivalente de reposição de perdas salariais. Até que nada muito incomum se houvesse manifestação anterior das intenções desse reajuste que fosse levado à público e chamasse à concordância a opinião pública ou que as ações dos membros da Câmara fossem justificadamente dignas de um aumento. Mesmo que pequeno em volume (pouco mais de R$ 200 para cada um), o aumento não se vale nem por atos extras dos edis, nem pela aceitação popular.
Às vésperas do feriado de Páscoa, esse foi um ovo pascal amargo e com um presente surpresa de mau gosto para os contribuintes. Mostra que qualquer chance de sacrifício próprio, por mais insignificante que possa parecer, está descartada pelos ocupantes das cadeiras legislativas francanas. Ficou incomodamente nítida a sensação de que mais esse desgaste na imagem dos titulares da Câmara Municipal de Vereadores, produzido por um valor quase insignificante se comparado ao montante salarial do cargo, poderia e deveria ter sido evitado se a sensata postura assumida em plenário por Graciela Ambrósio houvesse sido repetida pelo menos pela maioria de seus pares. Em outra votação da mesa a Câmara aprovou o projeto que permite à casa legislativa a prestação de homenagens a pessoas ainda vivas com o batismo de seus nomes a ruas, praças ou prédios da cidade. Infelizmente ficou claro o recado de que, além de supervalorizarem financeiramente seus talentos, os edis pretendem expandir seus trabalhos de labutar em defesa de nomes das vias de nossa cidade.
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