Mais dois padres da Diocese de Franca confirmaram ontem à delegada Graciela de Lourdes David Ambrosio que foram procurados - separadamente e em momentos diferentes - por meninos que afirmam terem sido abusados pelo padre Dé. Em seus depoimentos, os padres Dalmácio Garcia de Freitas, vigário da Paróquia de Santo Antônio, e Idair Perina, pároco da Igreja de São Vicente de Paulo, disseram conhecer as denúncias de pedofilia contra o religioso antes que elas fossem levadas ao Conselho Tutelar, em meados de março. "Padre Dalmácio disse que um dos meninos relatou a ele e a outros dois padres sobre um beijo. Padre Idair revelou que cinco garotos o procuraram, mas apenas dois falaram sobre abusos", disse Graciela.
Segundo a delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), eles explicaram que preferiram tentar resolver o problema internamente antes de contarem sobre o relato dos garotos à polícia. "Padre Dalmácio disse que o bispo seria procurado e padre Idair afirmou que pediu a padre Dé que esclarecesse o caso junto aos meninos", disse ela ontem à noite.
Os testemunhos levaram toda a tarde de quarta-feira. Padre Dalmácio foi o primeiro a dar declarações, às 15 horas. Acompanhado do advogado da Diocese de Franca, Nilson Plácido, o religioso passou cerca de 40 minutos reunido com a autoridade policial. Ao deixar a delegacia, ele falou brevemente à reportagem do Comércio. O religioso disse que conheceu dois dos meninos denunciantes durante um encontro para acompanhamento vocacional no fim de fevereiro. " (Eu) Os vi uma única vez. Eles participaram desse encontro no seminário e citaram meu nome à polícia porque eu realmente estava lá. Acompanhei junto com todos", disse.
Padre Idair foi ouvido depois. O pároco se recusou a falar com a imprensa antes de prestar depoimento. Ao deixar a sala da delegada, duas horas depois, limitou-se a dizer: "Tenho confissão. Não posso falar agora". Em seguida, deu as costas aos jornalistas que o esperavam e correu, literalmente.
JÁ FALARAM
Na última segunda-feira a delegada ouviu o bispo emérito Dom Diógenes e o padre Ovídio José Alves de Andrade, pároco da São Sebastião. O primeiro negou que soubesse das denúncias, disse nunca ter sido procurado por qualquer jovem ou família para falar de abusos cometidos por padre Dé e afirmou não saber porque seu nome foi citado. Já padre Ovídio confirmou que tinha conhecimento de denúncias feitas a ele por um dos garotos que se declaram vítimas dos abusos. "Ele me contou apenas a história dele e achei que era coisa de moleque", disse ele.
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