Fernanda Bufoni e Marco Felippe
da Redação
Seis dias após ser denunciado à polícia pelo abuso sexual de um grupo de meninos com idades entre 13 e 16 anos, o padre José Afonso Dé, 74, vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, em Franca, concedeu entrevista exclusiva ao GCN Comunicação na tarde de ontem. Durante mais de duas horas, o religioso falou sobre as denúncias que o afastaram de suas funções na igreja e de sua casa, no Jardim Tropical. Sempre acompanhado por seus advogados, Eduardo Caleiro e Cynthia Dias Milhim, ele confirmou que conhece os garotos autores da denúncia inicial e disse não saber os motivos que os levaram a fazer tais relatos. Negou envolvimento sexual de qualquer tipo, em qualquer época e com qualquer pessoa - homem ou mulher. Para ele, “o momento é de sofrimento” e de esperar o que classifica como “nova conversão, depois de 40 anos de sacerdócio”. Durante a entrevista, padre Dé não quis ouvir gravações com depoimentos dos garotos à repotagem. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
Padre Dé - Nego profundamente. Imagina só se eu vou fazer isso. Não. Isso não cabe em minha cabeça. Sempre vivi pautado dentro da espiritualidade.
Padre Dé - Isso é o que questiono também. Acho que pode ter um dedo aí atrás. Não sei. Vamos saber no final do inquérito. Não vou me furtar a nada. Não fujo de nada.
Padre Dé - Como que eu haveria de afirmar uma coisa que eu não fiz?
Padre Dé - Nego, claro.
Comércio - O senhor sabe quem são os meninos que prestaram os depoimentos?
Padre Dé - Os meninos são coroinhas, trabalham na igreja. Meninos bons, que chegam da escola e vão para o ensaio. Não tenho nada contra eles. Se vierem para me ajudar a celebrar missa agora, eu os aceitos porque são meninos bons. Na minha cabeça entra assim, pode ter sido um empurrão para alguma coisa contra mim.
Padre Dé - Fiquei pasmo. Não existiam brincadeiras. Quem ficava com os meninos era o Dilermando. Eu me sentava ali até passar o café, mas tenho meu escritório onde faço minhas coisas.
Padre Dé - Nunca. Começou no dia 2 de fevereiro. Nunca chamei menino para tomar café na minha casa. Em primeiro lugar, porque eu não tenho dinheiro para comprar Coca Cola todo dia.
Padre Dé - Aí já são os vocacionados. Não são esses meninos (os do café da tarde). Oitenta ou noventa moraram comigo, uma semana ou 14 anos como eu dei na nota (distribuída à imprensa na última sexta-feira). A pessoa vem e pede: “Eu queria examinar a minha vocação”. Então, vamos examinar. E como examino a vocação? Da noite para o dia? Não, mas vivendo comigo.
Padre Dé - Uma rotina de gente ocupada na vida espiritual. Levantamos às 6h30. Damos meia hora e vamos orar, leitura da Bíblia, meditação, reflexão. Depois escola de segundo grau. Voltam para a casa e a limpeza é feita por nós. Lavamos, passamos, cozinhamos, fazemos de tudo. Não temos empregado. Não tenho dinheiro para pagar empregado, então às vezes alguns não gostam disso. Dizem: “Eu vim aqui para examinar a minha vocação e não para ser doméstico”. Então meu filho, “a casa da mamãe é o lugar mais certo para você”. Tenho sido rigoroso nesse sentido. Quer ficar comigo é assim, não quer, então, meu filho, eu não obrigo você estar aqui.
Padre Dé - Tenho o meu quarto, cada um deles tem um quarto. Às vezes tem um, dois ou três em um quarto.
Padre Dé - Jamais. Quem fazia companhia para mim era meu enfermeiro, quando eu não podia me mexer. O enfermeiro cuidava de mim. Os meninos sempre tiveram o quarto deles. Trancou a porta, não sei o que acontecia. O único que precisava ficar perto de mim era meu enfermeiro. Precisava me ajudar a levantar, sentar.
Padre Dé - Crianças, não. Adolescentes entre 13 e 16 anos. Os que foram para ver isso (vocação). Em dias de encontro estavam todos lá, recebidos. Era aberto para todos. Não dormiam lá. Eram encontros da paróquia e eu era chamado para dar conferências.
Padre Dé - Não.
Padre Dé - Eles iam para esclarecer a vocação. Às vezes ficavam uma semana. Se moravam longe, se hospedavam na casa. Se moravam perto, de tarde voltavam para casa.
Padre Dé - Abraço, sim. Com um aconchego bem grande a qualquer tipo de pessoa. Não são abraços libidinosos. Chego perto de você e, se tenho intimidade, abraço, beijo sua face. É próprio da nossa sociedade. Isso eu tenho e gosto.
Padre Dé - Super tranquilo. Minha consciência é clara. E não estou nem um pouco afobado. E deveria estar porque já tenho idade e uma doença que me atrapalha. Estou tranquilo porque conheço minha consciência. Compete a mim, como padre, saber aceitar, saber compreender.
Padre Dé - Vamos esperar o encontro chegar. Não vou me antecipar. Não fujo da realidade. Vamos esperar, se a delegada for fazer a acareação, vou responder dentro do que os limites mostram para a gente.
Padre Dé - Normal. Vou tranquilo. A Bíblia fala assim “Como uma ovelha caminha para o matadouro” e não reclama de nada. A Bíblia me dá força e eu sou padre. Sou padre para mostrar a minha fé, a minha confiança.
Padre Dé - O que sempre disse para eles. O homem precisa ter honra. A gente não pode ofender a ninguém. Amanhã isso volta.
Padre Dé - Esperem e aguardem. Nós teremos o momento.
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