Guerreiros do lixo


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Robson Pereira, Pedro Ricardo e Luciano Fernandes (esq. para dir.) demonstram bom humor apesar do trabalho pesado no dia a dia das ruas
Robson Pereira, Pedro Ricardo e Luciano Fernandes (esq. para dir.) demonstram bom humor apesar do trabalho pesado no dia a dia das ruas

Vestidos com uniformes, tênis, bonés e luvas apropriadas, sempre com suor no rosto e a disposição de um atleta. Os lixeiros são profissionais imprescindíveis para a população e preservação do meio ambiente. Anônimos, precisam vencer o preconceito diário para ganhar o sustento de cada dia. Seja durante o dia ou à noite, sob sol ou chuva forte, não importa. Eles estão sempre nas ruas do seu bairro. Em Franca, a Colifran - empresa responsável pelo recolhimento de lixo na cidade - emprega 52 lixeiros que trabalham nos períodos diurnos e noturnos, divididos em quatro grupos nos treze caminhões da empresa.


A rotina de “sobe e desce” da traseira do caminhão coletor não é para qualquer um. Jovens, pouco grau de escolaridade e com a saúde em dia, são características que formam o perfil da maioria dos que estão nesta profissão. Para agüentar o pique de cerca de 30 quilômetros por dia, é preciso muito preparo físico. Os profissionais têm de fazer pelo menos dez minutos de alongamento antes de começarem a trabalhar. O aquecimento é essencial para ganhar fôlego e encarar o que vem pela frente. “Alguns já vão caminhando de casa até o ponto inicial da coleta, no bairro determinado pela escala do dia. É bom que o corpo já vai esquentando”, disse Luciano Fernandes, que há onze anos trabalha como coletor de lixo.


A profissão é cansativa. São em média de seis a oito horas correndo atrás de um caminhão. Durante o dia, o sol forte é o principal inimigo desses coletores. Para aliviar a temperatura, muitos contam com a boa vontade dos moradores para oferecer uma mangueira aberta ou um copo de água que seja, de preferência, bem gelado. “Só quando alguém oferece água é que o alívio vem. Em dias de chuva usamos capa de proteção, mas o pior são os dias de sol ardente. É muito ruim. Ficamos mais cansados, temos que fazer o dobro de esforço”, disse Luciano.


Se o dia-a-dia de um lixeiro já é difícil para quem está acostumado, imagina para os que acabam de entrar no batente. Os novatos na profissão contam com o apoio dos mais velhos de casa. “Quando eles estão começando é preciso incentivá-los. Muitos novos lixeiros desistem nos primeiros dias, pois não agüentam o batidão. Mas como somos uma equipe, deixamos eles correrem menos nas primeiras semanas”, disse Luciano. Não há treino preparatório. A adaptação dos lixeiros é feita na prática, trabalhando, correndo e coletando os lixos.


A maior parte dos que optam por trabalhar como coletores estão em busca de um emprego com registro em carteira. Foi assim com Pedro Ricardo, 19, que é lixeiro há sete meses. Antes de trabalhar nesta função ele era servente de pedreiro, mas não ganhava salário fixo. Pedro conta que ficava sempre no “vermelho”, todo fim de mês. Em busca de estabilidade financeira começou a trabalhar como lixeiro. “O serviço é bom, não temos chefes toda hora para pegar no nosso pé. Os companheiros são legais, a gente se diverte e a hora passa rápido. O melhor ainda é que no final do mês já sei quanto vou ganhar e o que poderei gastar”, disse Pedro. Hoje ele trabalha de segunda-feira a sábado, além de feriados e tem carga horária média de seis horas por dia. Ganha cerca de R$ 900 por mês, além das horas extras.


Apesar de alguns destes profissionais dizerem que estão satisfeitos com seus salários, no dia 16 de outubro do ano passado, os lixeiros de Franca paralisaram o serviço para reivindicar aumento de 10% no piso salarial. Depois da negociação, chegaram ao consenso de 9% de reajuste. Além do aumento real, houve também reivindicações de cesta básica e vale transporte. Os lixeiros voltaram ao trabalho no dia seguinte com a nova conquista. A partir daí, o salário da categoria passou de R$ 596 para R$ 650, mais R$ 186 de insalubridade.

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