Luciano Cordeiro Calado, 40, é um exemplo de honestidade e simpatia. Ele trabalha como lixeiro há 20 anos em Franca e sabe como ninguém apontar os pontos positivos e negativos de seu ofício. Com muito humor, ele encara a sua rotina como a prática de uma boa missão para a sociedade. “Sinto que a cada dia faço um bem para cidade. Fiz muitas amizades, tenho a minha profissão como orgulho e não trocaria ela por nada”, disse.
Um dos momentos mais marcantes de seu trabalho foi há um ano e oito meses. Num dia de trabalho, enquanto catava as sacolas de lixo de empresas e residências na Avenida Brasil - uma tarefa comum em sua rotina -, ele se deparou com um pacote especial. Observou que tinha um volume diferente embrulhado em uma bolsinha, próximo às sacolas de lixo na calçada e resolveu abrir. “Eram R$ 119 mil reais em cheques e notas de dólar. Quase nem acreditei”, disse.
Luciano ficou três dias sem dormir pensando em como devolver as quantias ao dono, mas ainda não tinha certeza de quem era o pacote. “Fiquei com a cabeça quente. Sou honesto, gosto das coisas certas, mas não sabia como reagir”, disse. Com a ajuda de sua irmã, que fez vários telefonemas sondando a história, ele conseguiu encontrar o dono do pacote. Era um empresário no ramo de componentes para calçados, que ele não quis revelar o nome. Como recompensa, Luciano ganhou R$ 500. “Fiquei com a consciência limpa, graças a Deus. Não conseguiria ficar com o que não é meu”, disse. O valor que recebeu como gratificação adiantou um sonho antigo que o lixeiro tinha. “Com o dinheiro que recebi ainda deu para fazer a varanda da minha casa, ficou muito boa”, conta.
Apesar de não se imaginar em outra função e gostar muito do que faz, o coletor de lixo aponta que ainda sofre preconceito no dia a dia do seu trabalho. “Às vezes sinto um pouco de indiferença das pessoas. Durante a coletagem do lixo, eu cumprimento alguns moradores e eles não respondem. Sinto que eles têm um pouco de nojo de nós lixeiros”, disse. Mesmo assim ele segue feliz. “Sou um homem realizado demais. Só gostaria que as pessoas nos olhassem com outros olhos”, completa.
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