Aos 5 anos, Mariana é vítima de uma doença sem cura


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Sentada no quintal de sua casa, Mariana sorri para tirar a foto
Sentada no quintal de sua casa, Mariana sorri para tirar a foto

A pequena Mariana Aparecida Moreira Borges é filha única. Aniversariante do dia 3 de janeiro, completou cinco anos no início de 2010. A família mora numa casa simples no Jardim Luiza I. Na residência, a garota gosta de brincar com suas bonecas, assistir a desenhos que ela mesma coloca no DVD e passear na sua moto elétrica cor-de-rosa. Neste ano, entrou na escola e está começando a riscar as primeiras letras para escrever seu nome. Mariana é uma criança comunicativa e esperta. Quem a vê brincando animada para mostrar sua coleção de brinquedos não imagina que é vítima de uma doença grave e sem cura: a esclerose múltipla. Seus pais querem ajuda para lidar com o problema.


Até os 3 anos, Mariana teve desenvolvimento normal. Engatinhou, andou e falou no tempo certo. Nesta idade, a criança apresentou sintomas de gripe. Teve tosse, rouquidão e febre, além de vômitos. O alerta foi maior quando Mariana parou de andar. Por 15 dias ficou com as pernas paralisadas. “Parecia que ela tinha tido um derrame. Foi um susto muito grande”, disse a sapateira Rosemara Moreira Borges, 40, mãe da menina.


Os médicos suspeitaram que a garota estivesse com um tumor cerebral. Após vários exames, inclusive do liquor (líquido da espinha), a suspeita foi descartada. Encaminhada por especialistas francanos para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Mariana enfrentou quase dois anos de exames até chegar ao diagnóstico de esclerose múltipla. “A esclerose não é muito comum na nossa região, mas em locais de clima mais frio. Quando a Mariana chegou com déficit motor, pensei que fosse AVC ou tumor, mas os exames não confirmaram. Encaminhei para o HC, em Ribeirão, para investigarmos doenças mais raras”, disse Edith Aparecida de Pádua, neurologista que acompanha o caso.


Segundo a Abem (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla), de São Paulo, existem no mundo mais de dois milhões e meio de pessoas acometidas pela doença. A instituição estima que no Brasil sejam 35 mil portadores. A Abem afirma que geralmente incide em pessoas de 15 a 50 anos de idade. “A esclerose é muito rara em crianças e idosos”, disse Edith, que é médica desde 1987 e pela primeira vez atendeu uma criança com essa patologia.


Mariana está em tratamento. A cada três dias, toma injeções (Copaxone) nas pernas, barriga ou bumbum. A parte do corpo que receberá as agulhadas é alterada para evitar muita dor. A medicação, importada e cedida pelo governo, evita a evolução da esclerose, que pode causar comprometimento motor, cegueira e paralisias. A doença é caracterizada por “surtos”. Os sintomas não são contínuos. Mariana está bem e tem somente uma leve dificuldade para movimentar a perna direita.


Rosemara e José Gomes Borges, 52, pais de Mariana, querem conhecer mais sobre a doença, especialmente em crianças. Decidiram procurar a imprensa para tentar encontrar famílias que vivem a realidade deles e poder trocar experiências. “Ouvimos que a doença causa mutilações, as pessoas mais velhas estão em cadeiras de rodas ou perderam a visão. Soubemos de um menino de cinco anos com esclerose, mas ele é da Inglaterra. Queremos encontrar crianças no Brasil ou fora, de idade parecida com a da Mariana para saber que tratamento fazem”, disse José. “Como mãe, fico receosa. É uma doença rara em criança, então queria compartilhar com outros pais que passam pela mesma situação”. O casal sabe informações da doença pelos relatos médicos e pesquisas que amigos fizeram na internet para eles.


O contato telefônico da família é (16) 8166-0430 e o endereço Rua Iolanda Pereira Lima, 2460, Jardim Luiza I.

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