Tudo começou há seis anos. Era um tal de adicionar fulano e convidar ciclano para o mais novo e exclusivo clube da internet. Quem não tinha estava por fora. Aos poucos, foi se formando a rede social que se tornaria a mais popular em território nacional. O Orkut, lançado em janeiro de 2004 nos EUA, acabou tornando-se ferramenta mais do que presente na vida dos internautas brasileiros - são hoje mais de 22 milhões de usuários - e indianos.
Com sua incrível "habilidade" de localizar os amigos distantes e de conjugar as pessoas mais importantes de sua vida em um único espaço, o Orkut atravessou os anos e resistiu aos bloqueios do mundo corporativo, aos perfis fakes e às comunidades preconceituosas. Foi protagonista de um fenômeno nunca antes visto na internet: o de propiciar a cada usuário a forjada sensação de estar no centro das atenções e de se autoconferir um status diferenciado, ao postar fotos de viagens, gostos pessoais, estilo de vida e depoimentos.
Em outubro do ano passado, o portal - um dos que serão retratados pelo Comércio nesta série sobre redes sociais - renovou-se (influência evidente do Facebook e Twitter) e agora lista como o segundo site mais visitado por aqui com 10,11% dos acessos da internet. Só perde, e por pouco, para o Google, com 10,69%, segundo recente pesquisa feita pela Serasa Experian Hitwise, com base em 100 mil internautas entrevistados.
Do simples ato de enviar scraps (recados por vezes indiscretos e inconvenientes que não raro são pivôs de separações amorosas), criar comunidades - hábito que virou uma verdadeira overdose de temas impensáveis - e postar fotos, a página atualizou-se e hoje oferece recursos mais modernos para facilitar a interatividade entre os usuários.
Incluem-se nessa lista recursos de chat, uploads de vídeos em diferentes espaços, a facilidade para organizar fotos dos álbuns, de adicionar amigos, personalizar seu perfil (adeus ao clássico "azul-orkut") e para agregar cerca de 11 mil aplicativos multimídia, incluindo os joguinhos ao estilo Colheita Feliz. Esses, apesar da plataforma simples e até infantilizada, atraem milhões de usuários e são a febre do momento. Tem até game de conscientização, como o Dengue Ville, que busca estimular nas pessoas o hábito de evitar a proliferação do mosquito da dengue dentro de uma cidade virtual.
Mas há quem se recuse a utilizar a nova plataforma, como o estudante do quarto ano de Design Gráfico, Alex Cobra, 21. Ele está no Orkut desde 2005. Prefere essa rede social ao Facebook e costuma acessá-la quase todos os dias, com o intuito de se comunicar com os amigos, tanto os mais próximos quanto os mais distantes. Alex é da turma “conservadora” que não aprova o novo layout criado no final do ano passado. “Acho o novo Orkut muito complicado. É muita informação desnecessária. No antigo, você tem tudo ali, mas de um jeito mais fácil de acessar”, comenta.
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