Polícia abre inquérito; bispo afasta padre Dé


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DEFESA PRÓPRIA - Padre Dé é visto ao lado do advogado Eduardo Caleiro ontem à tarde. Ele alegou inocência durante entrevista
DEFESA PRÓPRIA - Padre Dé é visto ao lado do advogado Eduardo Caleiro ontem à tarde. Ele alegou inocência durante entrevista

A delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio, da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca, formalizou inquérito para apurar as denúncias de estupro que pesam contra o padre José Afonso Dé, vigário da Paróquia de São Vicente de Paulo. Após três dias de investigações, o processo já reúne oito depoimentos, cinco deles de adolescentes que ausa o religoso de abuso sexual.


Na próxima semana, a delegada ainda planeja ouvir seis religiosos e, por último, o próprio padre Dé. "Vou ouvir todos antes de interrogá-lo. Também começamos a fazer um levantamento de todos os rapazes que moraram com o padre Dé. E vamos atrás deles se for preciso", disse a delegada.
O bispo diocesano Dom Pedro Luiz Stringhini anunciou que o vigário está afastado por tempo indeterminado de suas atividades pastorais, como missas e outras celebrações, mas deverá permanecer no território da Diocese de Franca até o fim das investigações (leia mais em texto nesta página). Dom Pedro Luiz também garantiu que não vai interferir no processo de apuração. "Enquanto o processo existir, o padre deve ficar à disposição da Justiça e não deve atuar em outra paróquia", disse o bispo.


O padre, que ficou 12 dias na cidade de Canápolis (MG) preparando missões, voltou a Franca na noite da última quinta-feira e, ontem, concedeu uma entrevista coletiva no escritório de seu advogado, Eduardo Caleiro, no Centro. Padre Dé, antes de conversar com os repórteres, leu uma nota  na qual jura inocência. Disse não saber o que teria levado os jovens a denunciá-lo, mas se recusou a responder qualquer pergunta sobre o caso. "As acusações impostas a mim são seríssimas. Minha maior defesa é minha história de vida e de sacerdócio", disse o padre.


A INVESTIGAÇÃO
Há cerca de duas semanas o Conselho Tutelar recebeu uma denúncia de que padre Dé teria molestado sexualmente quatro adolescentes nos dois primeiros meses deste ano. O relato foi encaminhado à DDM e, na última quarta-feira, as vítimas começaram a ser ouvidas pela delegada.


Segundo os rapazes, os abusos aconteciam sempre às quintas-feiras após a missa das 15 horas. Os meninos eram convidados para um café da tarde na casa de padre Dé e lá, sempre segundo os relatos dos jovens, o vigário apalpava pernas e órgãos genitais dos meninos. "Ele passava a mão na gente quando a gente cumprimentava ele e depois quando a gente se sentava. Ele inventou uma brincadeira que chamava 'pirulito', chegava na gente e pegava, apertava nosso órgão genital", disse um dos garotos, de apenas 14 anos.


As mães, que acompanharam os jovens durante os testemunhos, se disseram surpresas com os relatos. "Ele é bom aluno, nunca me deu trabalho. Quando recebi a intimação, achei que ele tivesse feito alguma coisa errada. Nunca imaginei que seria isso, principalmente, com o padre Dé", disse a mãe de um dos garotos.
 

Também prestaram depoimento esta semana dois jovens que moraram com padre Dé por quatro anos, além da coordenadora dos coroinhas da Paróquia São Vicente de Paulo, Margarida Oliveira Mendes, que afirmou ter ouvido relatos dos menores sobre possíveis abusos do padre. "Eles me contaram o que vocês já sabem, mas eu não acreditei neles", disse Margarida à reportagem, na última quinta-feira. A coordenadora disse também que, depois de ser procurada pelos meninos, em fevereiro, resolveu se calar. Queria evitar envolvimento com a estória.

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