Na última terça-feira, na matéria intitulada Sem qualidade, Festival não amadurece com o tempo, publicada pelo Comércio, a Mostra de Dança no Jardim Aeroporto II foi citada como decepcionante e desanimadora, resumida a três adolescentes dançando Rebolation. Mas o pior ainda estava por vir.
Na noite da última quinta-feira, esta repórter e mais (apenas) 50 pessoas assistiram no Teatro Municipal, ao musical Histórias de Cabaret, da Cia. Painel de Teatro, dirigida pelo presidente da Fetanp (Federação do Teatro Amador do Nordeste Paulista) Cardoso Júnior.
Louvável o esforço e a dedicação do elenco, mas o que foi apresentado apenas faz jus ao nome da entidade: teatro amador. Isto não quer dizer que teatro amador pode prescindir de qualidade. O que se viu em cena foram seis atores achando que estavam fazendo teatro contemporâneo, mas totalmente perdidos entre encenar, dançar, dublar (as músicas eram em outros idiomas, dificultando o entendimento da mensagem) e ainda trocar de figurino enquanto falavam o texto mal escrito e decorado.
A falta de sincronia nas coreografias era perceptível e constrangedora. No entanto, dois atores salvaram-se pela expressão corporal e presença de palco: Denny D’Carlo e Maristella Camargo. Depois de 40 minutos, os aplausos opacos do público disseram tudo. Os representantes da Feac (Fundação para o Esporte, Arte e Cultura) e da Divisão da Cultura não estavam lá para ouvi-los.
Suelen Andrade, 25, atriz não atuante e que acompanha o Festival há vários anos, saiu do Teatro decepcionada e desabafou: “O Festival está fraco, paupérrimo, porque não teve incentivo, apoio nenhum. Espetáculos estão muito pobres, teatro, encenação, ator, figurino, tudo muito amador”, disse.
Ela acredita que com verba de R$ 25 mil daria para ter caprichado na programação. “Poderiam ter trazido um espetáculo de fora para dar uma valorizada já que os grupos e os atores da cidade não estão fazendo por onde”, disse. “Quando a Fetanp foi dirigida por Jô Ribeiro (atual diretor do Teatro Municipal) o festival era muito mais visto, tinha mais público porque ele fazia oficinas, demonstrava vontade de acontecer e dar oportunidade aos atores. No ano passado teve uma com a atriz Sandra Corveloni e este ano nenhuma”, argumenta.
Na opinião de Ana Cláudia Segadas, do Grupo ATO, que participa apenas do Festival de Cenas Curtas com a perfomance musical Babba, a qualidade do projeto vem caindo ano a ano após a eleição do atual prefeito. “Já estive na diretoria da Fetanp e anteriormente fazíamos o projeto durante 15 dias com um bom público e R$ 7 mil. Sinceramente, me espantei quando soube que o projeto recebe R$ 25 mil porque não vejo para onde vai este dinheiro. Eu também trabalho com produção de eventos e projetos dentro do Grupo ATO e sei de custos e valores”, comentou.
Thales Pires, formado pelo Senac e melhor ator do Festival Águas de Março do ano passado, resolveu manifestar sua indignação após ler a matéria do Comércio esta semana. Ele criou um blog (http://culturalmentefalandoenfranca.blogspot.com) para discutir o caminho da arte e da cultura francana. “Este Festival pode ser chamado de mostra teatral. Caiu a dança, caíram as Poesias Encenadas, não tivemos workshops, nem palestra, ninguém de fora e nada que acrescentasse para nós da classe artística de Franca”, afirmou.
A 22ª edição do Festival Águas de Março, que começou dia 20, termina neste domingo. Hoje, o Projeto Arte na Rua vai até a periferia de Franca. Às 10 horas, a Trupe de Mala e Cuia apresenta a peça Rei a Rei, no Centro Comunitário da Vila São Sebastião. Às 15h30, Histórias de Cabaret, da Cia. Painel de Teatro, será encenada no Centro Comunitário do Jardim Riviera. No Teatro Municipal, às 20 horas, acontece o Festival de Cenas Curtas. Cinco grupos concorrem: Grupo ATO, Mosaico, Encenarte, Clã Inútil do Teatro e o Diamante, de Patrocínio Paulista.
Amanhã, a Trupe de Mala e Cuia apresenta o espetáculo Rei a Rei, às 10 horas, no Centro Comunitário do Jardim Pulicano. Daniela Rosa encerra o festival com a dança contemporânea Cadê Meu Swing, às 20 horas, no Teatro Municipal, local onde também acontecerão as premiações.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.