O Comércio ouviu ontem mais dois adolescentes que denunciaram padre Dé à polícia por abuso sexual na última quarta-feira. Ambos moram no Parque Vicente Leporace e confirmaram as carícias do religioso, que aconteceram durante encontros ocorridos nos dois primeiros meses deste ano. O mais jovem deles tem apenas 12 anos e participava das atividades da Paróquia há mais de dois anos.
O menino afirma nunca ter imaginado que a história pudesse chegar à delegacia. "Quando minha mãe recebeu a intimação, começou a chorar. Ela não sabia de nada. Não contei porque fiquei com medo e vergonha, porque ela é mulher. Fiquei com medo de ela me bater, me deixar de castigo", disse o jovem.
Quando perguntado porque não se afastava do religioso, o adolescente disse que quando acontecia, eles "davam um tempo". "Era sempre assim, mas teve um dia que a gente deu um tempo maior para ele e achamos que ele tivesse esquecido e que não iria fazer isso de novo. Mas ele fez e nós decidimos pedir ajuda ao padre Idair, que é o pároco da igreja", disse ele.
O segundo, de 14 anos, frenquenta a igreja há mais de 10 anos e confirma o afastamento. "A gente começou a nem cumprimentar ele mais, porque ele passava a mão na gente quando a gente cumprimentava ele", disse o garoto.
Os abusos, segundo ele, se repetiam ao longo da tarde. "Quando a gente sentava para tomar café na mesa que ele punha pra gente, ele começava de novo. E inventou uma brincadeira que chamava 'pirulito'. Ele chegava na gente e pegava, apertava nosso órgão genital. Tudo por cima da roupa. A gente ficava com vergonha. É estranho, né? Nem meu pai faz uma coisa dessas comigo"
Os outros dois rapazes que prestaram depoimento sobre o caso à polícia, não quiseram dar entrevistas. "Não quero falar com a imprensa até que as investigações acabem, mas meu sentimento é de revolta", disse a mãe de um dos meninos.
Colaborou: Fernanda Bufoni
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