Revoada tucana


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Parte da grande mídia, notoriamente tucana, tem nessas últimas semanas dado o tom de como será sua postura ao longo desse ano eleitoral. Até ai, tudo bem, porque ao contrário do que alguns insistem em defender, os grandes veículos de comunicação (Folha, Estadão, Veja, TV Globo, etc.) sempre foram parciais e se posicionaram politicamente conforme seus interesses e suas virtudes. O que chama atenção é o estilo “jogo duro” que estão adotando e que deverá predominar ao longo da campanha eleitoral. Esse estilo pressupõe ataques diários, sem condescendência, contra o Presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores e contra sua candidata a Presidência Dilma Roussef. Esse estilo já até cunhou um apelido bastante sugestivo: “Tempestade no Cerrado”, uma alusão à operação de ataque “Tempestade no Deserto” desencadeada pelos EUA na invasão ao Iraque em 1991.


O objetivo é deflagrar um ataque tão intenso que confunda o eleitor e faça sombra sobre os êxitos do Governo Lula e obscureça a candidatura Dilma. Para tanto, utilizarão o que há de mais baixo no trato com os seres humanos: a desqualificação pessoal, a desmoralização e o preconceito. Aliás, o Lula é campeão em receber ataques de tal naipe. Existem pessoas que insistem em se julgar superiores a ele, no que diz respeito à formação acadêmica, ao intelectualismo e às normas sociais de etiqueta e de finesse. Os que agem assim se tornam, na verdade, campeões em boçalidade.
 

Mas, o fato é que o ataque está deflagrado e pressupõe manter em evidência denúncias contra o governo Lula, elaborar manchetes de grande impacto na mídia, usar fotos que ridicularizem o Presidente e sua candidata, ressuscitar antigas denúncias que, por falta de provas ou de consistência caíram no esquecimento, manter um tom agressivo e, também, debochado nos editoriais, desprezar a política externa brasileira achando que ela se resume à Venezuela, Bolívia, Cuba e Irã (aliás, nesse aspecto, qualquer atitude que o Governo Lula assumir a respeito desses países, será alvo da mídia tucana que sabe que o governo FHC não teve qualquer política diplomática consistente ou que valha a pena considerar), isolar dados supostamente negativos da economia e repercuti-los e, finalmente, utilizar o poder dos articulistas existentes na imensa mídia nacional para consolidar o ataque fracionado.


A minha preocupação com essa realidade é que o PSDB e a sua mídia tupiniquim, por falta de um projeto de desenvolvimento nacional, deverão incentivar o baixo nível na campanha presidencial. Vivemos um momento internacional intenso para as discussões que realmente nos interessa.

Discussões que tenderão a definir um novo modelo de Estado e, simultaneamente, estabelecer regras e limites para o capital financeiro (com todas as repercussões que isso possa acarretar). Corremos o sério risco de perder a oportunidade, durante a campanha eleitoral, de travarmos um saudável debate sobre a importância brasileira nesse novo contexto global. Espero estar equivocado, mas o que tenho visto confirma meu receio.

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