Fernanda Bufoni, Marco de Paula e Marco Felippe
da Redação
Quatro meninos com idades entre 13 e 16 anos, moradores nos Bairros Parque Vicente Leporace, Jardim Portinari e Jardim Pinheiros, na zona norte de Franca, denunciaram o padre Dé, 74, - José Afonso Dé, vigário paroquial da Igreja São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical - e outros dois religiosos que trabalham com ele por abuso sexual. A denúncia teria sido encaminhada ao Conselho Tutelar há duas semanas e, em seguida, remetida à polícia. A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) começou a ouvir as testemunhas na tarde de ontem.
Ao todo, cinco pessoas prestaram depoimentos. Entre elas, três adolescentes de 16, 14 e 13 anos. Eles afirmam terem se encontrado com Padre Dé na casa dele uma vez por semana durante dois meses. Segundo os jovens, nas reuniões, que aconteciam à tarde, o religioso passava a mão em suas pernas e órgãos genitais. Nenhum deles disse ter mantido relações sexuais com o padre. A delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio afirmou que as investigações estão protegidas por segredo de Justiça e se negou a dar informações sobre o caso.
A movimentação na DDM começou às 14 horas, quando os jovens chegaram à delegacia acompanhados das mães, e durou até às 21 horas quando a última testemunha deixou a delegacia. Em entrevista exclusiva ao Comércio, um adolescente de 14 anos que participou dos encontros revelou detalhes do que ocorria na casa do padre. 'Éramos quatro e ele (Padre Dé) passava a mão na gente com os outros ali do lado', disse o jovem.
A reportagem conversou também com duas mães que afirmaram não saber o que acontecia nas tardes que os filhos diziam passar na Igreja. 'Ele é bom aluno, nunca me deu trabalho. Quando recebi a intimação, achei que ele tivesse feito alguma coisa errada. Nunca imaginei que seria isso, principalmente, com o padre Dé', disse a mãe de um dos garotos.
A suspeita de envolvimento de padre Dé com pedofilia não se restringe aos episódios narrados pelos adolescentes e que teriam ocorrido nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Além deles, outras duas vítimas prestaram depoimento à delegada. Uma delas é um homem de 22 anos que conta ter mantido um relacionamento íntimo com o religioso entre seus 13 e 17 anos, quando participava das atividades da paróquia.
A IGREJA
O bispo da Diocese de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, confirmou ontem à noite que tomou conhecimento das denúncias contra o padre Dé ainda à tarde. No entanto, até às 22 horas, disse não ter conhecimento do teor de cada uma delas. 'A diocese quer tomar conhecimento amanhã (hoje) do que são essas denúncias com toda serenidade. No que compete a diocese tomar providências, elas serão tomadas. O que compete à Justiça, nós confiamos na Justiça. Nós não vamos absolutamente obstruir em nada o trabalho da Justiça. Mas tudo tem que seguir seu trâmite passo a passo, as coisas não podem ser precipitadas', disse o Bispo ao Comércio no Seminário Diocesano, local onde mora.
Dom Pedro Luiz disse que nesta quinta-feira o advogado da Diocese de Franca, Nilson Plácido, redigirá uma nota explicativa para a imprensa. 'Falaremos tudo a seu tempo, mas nesse momento ainda não tenho conhecimento de tudo'. Ainda segundo o bispo, o padre Dé não está na cidade e teria deixado a paróquia na semana passada a seu pedido, depois de se envolver em uma discussão com fiéis.
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