Dia do Circo


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Sonia Machiavelli
Editora


O calendário tem data para homenagear criança, mãe, pai, professor, médico, sapateiro, secretária, psicólogo, dentista, jornalista, mulher, motorista, funcionário público, pintor, poeta... Tem dia do trabalho, da poesia, da árvore, do meio ambiente... Também tem dia para lembrar um tipo de artista que as crianças amam e há mais de 2400 anos faz as pessoas rirem. Quem é este artista que faz rir? É o palhaço. No próximo sábado, 27 de março, comemora-se o Dia do Circo. Como o palhaço é a alma do circo, será também muito lembrado.
 

Por que este dia, neste mês? É que eles marcam a chegada ao mundo, no ano de 1897, daquele que é considerado o maior palhaço brasileiro de todos os tempos. Ele nasceu aqui pertinho, em Ribeirão Preto, debaixo da lona do Circo Americano, que pertencia a seus pais, Galdino e Clotilde Pinto. Seu nome na certidão de nascimento era Abelardo. Mas desde a infância todos passaram a tratá-lo por Piolim.


Piolim... O que será que significa? É uma palavra espanhola que em português quer dizer “barbante”. Explica-se: o menino Abelardo era muito magro, tinha pernas e braços bem compridos. Uns artistas espanhóis que trabalhavam no circo olharam para ele e falaram: “Nossa, parece um piolim”. Pronto, o apelido pegou e nunca mais desgrudou. Ficou Piolim para o resto da vida. Ele tinha apenas seis anos e já trabalhava no circo!


O que Piolim fazia no circo aos seis anos? Algumas coisas que o destacavam no espetáculo. Fazia arte com a bicicleta, equilibrando-se no guidão com uma perna só! E fazia contorcionismo de deixar todo mundo de queixo caído. Os meninos que iam assistir ao espetáculo no Circo Americano sentiam inveja de Piolim. Mas Piolim também sentia inveja dos meninos. Um dia, quando já havia se tornado um artista famoso, ele explicou porquê.


“Não fui como outros meninos que entravam no circo por baixo da lona e ficavam surpresos vendo os números. Eles sentiam inveja e gostariam de fazer igual. Por outro lado, eu sentia inveja deles porque iam para a mesma escola o ano inteiro; eu, mal começava em uma, tinha de mudar de cidade com o circo e ia para outros lugares. Não dava tempo de fazer amigos”.
 

Piolim ficou assim, indo de um lugar para outro e fazendo seus números de malabarismo e contorcionismo. Já era um jovem de vinte e poucos anos quando o palhaço do circo morreu. Chamava-se Chimarrão e tinha ficado muitos anos no Circo Americano. Como não encontravam alguém para o substituir, Piolim se ofereceu para fazer o papel até que encontrassem outro. Seu sucesso na estréia foi tão grande que ele ficou definitivamente como palhaço.


Piolim tinha grande facilidade em despertar o riso nas pessoas. Ele rebolava, dava uns gritinhos, arregalava os olhos e todo mundo caía na gargalhada. Começou a fazer palhaçada com situações da vida das pessoas, com coisas que faziam parte do dia-a-dia de todos. Com isso conquistou um número enorme de fãs durante mais de meio século. Conquistou até o aplauso de grandes escritores brasileiros como Mário de Andrade.
 

A caracterização de Piolim foi também uma criação dele que os palhaços que vieram depois imitaram: a boca exagerada, o nariz vermelho, o jaquetão muito largo, o colarinho afastado do pescoço, a calça caindo, os sapatos de número muito maior e bico aberto, parecendo um jacaré, a bengala que mais parecia “anzol de pescar submarino”.


No picadeiro ele repetia os números e fazia rir. Trabalhava com um outro artista, com quem conversava em trejeitos engraçados.
 

Era assim, falando bastante, que Piolim despertava o riso. Depois dele vieram muitos palhaços que seguiram esta mesma linha. Renato Aragão, por exemplo, que já foi artista de circo de lona e depois fez sucesso na televisão, usa até hoje este tipo de situação para provocar o riso. E sempre consegue.
O sonho de Piolim era criar uma Escola de Circo para que as artes circenses não fossem esquecidas. Ele não viu a realização de seu sonho. Morreu em 4 de setembro de 1973, aos 73 anos. Só cinco anos depois surgiria em São Paulo a primeira escola de circo do Brasil. Ela leva o seu nome, como uma homenagem: Escola de Circo Piolim.

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