Presa há um ano na penitenciária feminina de Santana, em São Paulo, a advogada Adriana Telini Pedro veio a Franca, ontem, participar de uma audiência em que é acusada de estelionato. Durante o encontro com o juiz, ficou sabendo que foi condenada em outro processo. Pegou um ano e quatro meses de reclusão por formação de quadrilha. A sentença se refere ao caso em que ela foi flagrada por escutas telefônicas instruindo bandidos a roubarem um casal de clientes que estava com R$ 50 mil. Foi a terceira condenação de Adriana Telini em nove meses. Juntas, suas penas somam 16 anos e dois meses de cadeia.
A ocorrência das escutas foi, justamente, a que revelou o envolvimento da advogada com o crime organizado e que deu origem à série de acusações que ela enfrentou nos anos seguintes. No dia 2 de junho de 2005, o grampo telefônico flagrou Adriana Telini dando dicas para um assalto a Eurípedes Moura Júnior, o “Perna” ou “Juninho”. Na ocasião, ele estava preso na cadeia do Guanabara e repassaria as ordens para os comparsas em liberdade cometerem o crime.
A advogada havia acompanhado a partilha de R$ 50 mil referentes à venda de uma residência do casal que estava se separando. A mulher ficaria com R$ 20 mil e o marido com R$ 30 mil. Telini ligou para o preso e disse que os clientes estavam com muito dinheiro na mão. Perna se identificou como “Maria” e ela explicou onde encontrar as vítimas. “Maria, deixa eu te falar com urgência: vai para a estrada de Patrocínio. Tem uma Fiorino, tá só com dois caras. O cara saiu com R$ 30 mil na bolsa”, dizia ela na ligação que foi gravada pela polícia.
A vítima havia alterado o trajeto e os criminosos não conseguiram encontrá-la. Em seguida, um bandido não identificado pelas escutas liga para a advogada perguntando onde estava a mulher. A advogada telefonou para a cliente para confirmar sua localização. “Alô. Cidinha? Onde você está?”. A mulher havia ido ao médico e também escapou do assalto.
O Comércio revelou com exclusividade o teor das escutas no dia 21 de maio de 2006. O inquérito para apurar o caso foi aberto pela polícia na semana seguinte. O processo se arrastou na Justiça por quase quatro anos - antes de sua conclusão a advogada recebeu outras duas condenações - e a sentença foi assinada no dia 13 pelo juiz Guaccy Sibille Leite, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Ribeirão Preto. As partes foram informadas da decisão ontem. O advogado Rui Engrácia Garcia disse que a pena não é cabível, pois as escutas teriam sido ilegais. Ele vai recorrer.
HISTÓRICO
Em agosto de 2009 Adriana Telini foi condenada a dois anos de reclusão por associação para o tráfico de drogas. Escutas haviam revelado que o escritório dela possibilitava uma linha direta entre traficantes e presidiários. Numa das conversas, ela orientava a filha de um cliente que estava preso sobre o local em ele havia enterrado tijolos de maconha.
![]()
VISITA RELÂMPAGO - Escoltada por policiais, Adriana Telini desembarcou de caminhão de presos no Fórum de Franca ontem à cidade: advogada ficou menos de uma hora na cidade
|
Em junho do ano passado, Adriana Telini pegou 12 anos e oito meses por envolvimento em dois roubos e por formação de quadrilha. A condenação refere-se ao caso em que teria mandado comparsas roubarem um casal de vendedores de jóias na porta de seu escritório, que estava com um mostruário avaliado em R$ 120 mil.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
