Goteiras viram tormento para uns e fonte de lucro para outros


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Bacias espalhadas pelo quarto, sala e cozinha. Plásticos sobre a televisão, computador e geladeira. Lonas cobrindo o telhado. Basta chover para as goteiras começarem e atingirem as casas indistintamentes. Sim, porque as goteiras não escolhem classes sociais. Atacam em qualquer ambiente e não importa se a residência é nova ou antiga. O pinga-pinga teima em atormentar os moradores quando São Pedro não dá trégua. Enquanto os moradores se preocupam em vencer o problema, comerciantes de telhas, impermeabilizantes, calhas, além de pedreiros, lucram com a situação. A demanda pelos serviços chega a ser oito vezes maior na época das águas.

Na casa do borracheiro Cirilei Alves dos Santos, 53, a família inteira sofre com as goteiras desde o começo do ano. O imóvel não tem laje e todos os cômodos ficam tomados por bacias em dias de chuva. “Tem muita goteira. Na cozinha, no quarto e na sala. Com chuva de vento aí que entra água mesmo”. Cirilei quer arrumar o telhado ainda neste ano para não conviver mais com tanta água dentro de casa. “Preciso trocar o telhado inteiro ainda esse ano porque senão vou acabar nadando dentro de casa”, disse.

A necessidade vivida no Jardim Califórnia onde Cirilei mora é comum a moradores de outros bairros e se reflete no trabalho de muitos pedreiros que veem os chamados aumentarem nesta época do ano. Antônio Jacó, 43, chegou a ter seis pedidos por semana para consertar vazamentos em telhados. A demanda é oito vezes maior que durante a estiagem. “Basta chover que no dia seguinte é sagrado ter serviço para fazer”, disse.

A Central de Serviços realiza reparos e manutenção na infraestrutura dos imóveis. Neste período do ano, a divisão de trabalho na equipe precisa ser alterada. Dos 12 funcionários da empresa, oito se dedicam exclusivamente a executar consertos em telhados e paredes com infiltração. Por dia, a Central recebe de 20 a 25 chamados. "Franca tem casas muito antigas, especialmente no Centro, e elas estão com os telhados vencidos. As telhas pararam de absorver a água e é quando ocorrem os vazamentos", disse Luiz Moreira, proprietário da empresa.

Em dias chuvosos, a troca das telhas não pode ser realizada pois há risco dos profissionais escorregarem ou das telhas racharem. Uma das alternativas é proteger o interior da casa com lona preta. A comercialização do produto está intensa. “Em dias de sol cerca de 15 clientes me procuram para comprar lona. Quando chove o número sobe para 30 pessoas em média. Vendemos muito”, disse Adão Vinhola, que atua no ramo de materiais de construção há 37 anos.

A procura por telhas, principalmente as de amianto (eternite), também aumenta. “As de amianto são fixadas só em dois pontos e quando tem vento acabam arrancadas. Após os vendavais sempre aparecem muitas casas destelhadas ou com problemas em calhas e as vendas aumentam”, disse José Antônio, do depósito Alvorada.

 

SEM BOLOR
Não são somente goteiras que infernizam os moradores durante o verão. Paredes mofadas pela infiltração são outro tormento dentro das casas. Na tentativa de evitar a ação dos fungos, os francanos recorrem ao uso de impermeabilizantes, que sofreram alta de vendas nas últimas semanas. No depósito de materiais de construção Casa Grande, a venda está três vezes acima da média registrada em épocas sem chuva. A loja vendia duas latas do produto por dia e agora tem baixas diárias de seis unidades no estoque.

Ao ser aplicado o produto forma uma película protetora na parede e evita a passagem da água. “Um dos produtos mais procurados precisa de apenas duas horas de sol para secar após ser aplicado. E a procura é muito alta”, disse Flaves Saraiva, vendedor.

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