O valor do jornalismo


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Dois estudos recentes fornecem elementos para a compreensão da mudança em curso no mercado de comunicação social, provocada pela revolução digital. O primeiro, do Pew Research Center, demonstrou serem os jornais responsáveis por cerca de metade do conteúdo jornalístico novo e só 4% dele origina-se nas novas mídias. O segundo, do Fair Syndication Consortium, atestou que cada matéria de jornal é reproduzida sem licença em média 4,4 vezes na Internet – 15 vezes no caso dos títulos de maior credibilidade. O papel das novas mídias tem sido o de replicadoras do conteúdo originário. Não se discute a capacidade da Internet de compartilhar a apresentação simples de acontecimentos. O rádio e a tv já haviam ocupado, com eficiência, esse espaço. Referimo-nos ao papel de empresas jornalísticas sérias de produzir informações e análises inovadoras, o que envolve o emprego de técnicas de apuração e o compromisso com princípios transparentes e centenas de profissionais, nos jornais de maior porte. Conclusão óbvia: produzir essas informações para que os cidadãos tenham opiniões próprias num país democrático custa caro. O modelo ideal de empresa jornalística se sustenta na venda de exemplares e na receita publicitária oriunda de uma carteira diversificada de anunciantes. Somente empresas sólidas podem manter independência em relação a governos ou interesses privados, e eleger como prioridade absoluta o direito dos cidadãos de acesso a informações que possam contrariar o poder político e econômico. Tudo isso coloca em debate uma questão fundamental: utilizando-se de mecanismos de busca na Internet, grandes empresas, que estão entre as maiores e mais lucrativas do planeta, se apropriam das informações jornalísticas, sem autorização ou remuneração. A persistir esse modelo, a produção dessas informações tenderá a perder qualidade e a desaparecer. Jornais são a mais consistente das mídias, a mais relevante nas transformações sociais, econômicas e políticas nos últimos 500 anos, símbolos da própria democracia. As novas mídias vieram para ficar, e devemos entendê-las como contribuições para a melhoria do nível geral de informação. A questão é encontrar um modelo saudável, que mantenha a qualidade na produção de informações. Do contrário, perde a indústria jornalística, responsável pela circulação diária mundial de mais de 539 milhões de exemplares. Mas, muito pior, perde a democracia um dos seus maiores guardiões. Judith Brito Presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ)

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