Projeto leva cinema a escolas e aos centros comunitários


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Produzir um documentário sobre violeiros ou o esporte em Franca, levar um cinema itinerante a centros comunitários e escolas e montar um telecentro com acesso gratuito à internet. Essas são algumas das propostas do Ponto de Cultura do Ipra (Instituto Práxis de Educação e Cultura), que funciona num prédio na Estação. As ações começaram a ser desenvolvidas neste ano graças à aprovação de um projeto apresentado pela entidade e aprovado pelo governo federal. Por três anos, até 2012, o Ipra receberá R$ 60 mil por ano para colocar em prática as propostas que querem despertar na comunidade o gosto pelo cinema, pelos livros e pela cultura. Serão desenvolvidos projetos em cinco áreas. Um deles é o CineClube que, a partir de março, levará telão e caixas de som para sessões de cinema gratuitas em escolas, centros comunitários, ONGs e no assentamento Boa Sorte. A primeira exibição será na sede do Ipra no dia 13 de março. Num primeiro momento, a escolha dos filmes será de acordo com o público de cada sessão, mas futuramente poderão ser exibidas produções próprias do Ipra. Isso porque o Ponto de Cultura oferecerá a partir de março uma oficina de produção audiovisual para ensinar a fazer documentários e filmes. “Os assuntos serão escolhidos de acordo com o perfil das turmas, mas podemos falar dos violeiros, das Congadas, da Francana e outros temas da cidade”, disse Tito Flávio, coordenador de comunicação do Ipra. A primeira turma terá 15 vagas. A seleção está em andamento e os interessados devem procurar a sede do instituto. Monitores de Bauru e São Carlos ensinarão a produzir o material e, no fim do curso, os alunos terão produzido documentários. Nos próximos anos, os equipamentos comprados para essa oficina serão utilizados para registrar outros projetos do Ipra. “Os participantes da primeira turma assumirão o compromisso de se tornarem multiplicadores e ensinarão as técnicas de produção às próximas turmas”, disse Rogério Limonti, coordenador de Finanças. A população ainda terá oportunidade de participar de oficinas de produção para web e produção gráfica. Nesta turma, os alunos aprenderão a utilizar programas para confeccionar cartazes e boletins, além de aprender a fusão de imagem e texto. Os computadores adquiridos para essas oficinas serão aproveitados para montagem de um telecentro. “No período que não forem utilizados, vamos disponibilizar para a população”, disse Tony Rocha, coordenador geral do instituto. Dez máquinas serão compradas até 2012. A leitura é outro tema presente nas propostas do Ipra. O Clube do Livro é um projeto já desenvolvido pela entidade e que deve ganhar novos adeptos com a divulgação do Ponto de Cultura. Os associados, cerca de 20 pessoas atualmente, com idades entre 20 e 55 anos, pagam taxas mensais de R$ 15 a R$ 20 e recebem o valor integral em livros todo mês. Depois, são realizados debates sobre as obras adquiridas. Parcerias com editoras permitem um preço mais acessível. Os títulos são escolhidos de acordo com o mês. <b>HISTÓRIA PRESERVADA</b> Com o recebimento de recursos federais, o Ipra montará um Centro de Memória Operária e História Regional. Parte deste projeto será apresentada durante encontro nacional em Fortaleza (CE), de 25 a 31 de março, para representantes de 2.500 Pontos de Cultura. Na ocasião, o Ipra apresentará para o País parte do acervo de documentos da Ditadura Militar que digitalizou. São 110 fichas do Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) encontradas abandonadas em uma fazenda em Jaborandi (SP). Em 2007, Tito Flávio lecionava em Bebedouro e um dos seus alunos trabalhava no corte de cana-de-açúcar na fazenda e encontrou os documentos abandonados. Há dados de pessoas de Franca, Claraval e São Joaquim da Barra e de outros países, como Egito e Uruguai.

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