Maria (nome fictício) é uma aposentada de 68 anos. Na manhã de terça-feira, a mulher retornava do médico. Ela saiu da Casa do Diabético, na Avenida Ismael Alonso y Alonso, e caminhava pela calçada. Eram 9 horas. A aposentada seguia rumo a sua casa na Vila Champagnat. Sua simplicidade despertou a atenção de um homem de cor branca, aproximadamente 1m70, que vestia calça jeans e camisa listrada.
A aposentada foi cercada pelo homem, que chegou pedindo informações. Com boa conversa e se passando por uma pessoa perdida na cidade, ele mostrou um pequeno papel contendo o nome de uma suposta rua francana. “Ele perguntou se sabia onde era uma rua lá. Eu falei que não conhecia e pedi para ele procurar outra pessoa”, disse a aposentada.
O diálogo entre Maria e o homem que lhe pedia informações não durou muito tempo até que uma outra pessoa, do sexo masculino, aparentado ser mais velho, cabelos grisalhos e bem vestido, chegou e interrompeu. A aposentada disse que o segundo homem foi logo se apresentando como filho do dono de uma frota de caminhões. “O rapaz que estava comigo disse que tinha um bilhete premiado, mas estava sem documentos e precisava receber um prêmio e não sabia como fazer. Nisso, o que chegou falou para mim: ‘vamos ajudar ele sim. Nós vamos levar ele no banco’. E pediu para que entrássemos no carro dele”, disse Maria.
A aposentada alega que ficou atordoada com a conversa dos homens, que durou pouco mais de 15 minutos. O que estava supostamente pedido ajuda para descontar o bilhete premiado chegou a dizer que, para sair com ele, Maria e o segundo homem teriam que provar que tinham dinheiro e que, depois de receber o prêmio, daria R$ 100 mil para cada um, uma espécie de gratificação pela ajuda. “Ele falou que ele só entraria no carro se comprovássemos que tínhamos dinheiro. O segundo homem mostrou a bolsa e disse lá havia R$ 40 mil e perguntou se eu tinha dinheiro para provar. Eu disse que não tinha nada. Ele perguntou se trabalhava com banco e falei que era aposentada e recebia no Banco do Brasil”, disse a aposentada.
Maria sequer imaginou que estava diante de um velho e conhecido golpe. O “conto do bilhete premiado”. Ela confessou para os golpistas que tinha crédito pré-aprovado junto à instituição bancária. Aposentada, com rendimento de R$ 800 por mês, ela foi levada para agência do Banco do Brasil no Bairro da Estação. “Olha a minha inocência! Ele pediu para ir ao banco e sacar dinheiro para provar que também tinha dinheiro. No banco, ele pegou meus documentos e fez o empréstimo. Sacou o dinheiro e saímos para mostrar pro outro rapaz”, disse a vítima.
Do lado de fora da agência, a aposentada teve o golpe aplicado. O homem, que já estava com os R$ 10 mil que havia sacado, disse que iria no carro buscar alguns documentos e que era para esperá-lo na calçada. “Foi aí que vi a bobeira. Pensei. Gente, mais isso não está certo. Ele está com meu dinheiro. Quando me dei conta já era tarde. Ele tinha fugido e o outro rapaz também”, disse Maria.
Restou à aposentada comunicar o fato para polícia. Ela localizou uma viatura e denunciou o golpe que havia acabado de cair. Maria não informou a quantidade de parcelas que deverá pagar pelo empréstimo feito no banco. A Polícia Civil deve pedir as imagens do circuito de segurança da agência para tentar identificar o golpista.
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