Ismael estava calado desde o dia de sua cassação. Era uma orientação da defesa para não se complicar com a Justiça. Ele temia que qualquer palavra mal colocada pudesse resultar em prisão. Passado o turbilhão, ontem, durante o discurso feito na porta da Prefeitura, ele esbravejou o que estava entalado em sua garganta.
Disse ter ficado decepcionado com algumas pessoas que lhe viraram as costas após a decisão judicial. Agradeceu o apoio dos familiares e amigos. Sem citar nomes, fez pesados ataques a Tonin Garcia (PMDB), o autor da ação que culminou em sua cassação. Destacou a lealdade de Francisco Norinho, presidente da Câmara, que respondeu pelo cargo de prefeito nos últimos dias. “Ele foi o guardião da Prefeitura. Ficou à frente desta porta para que os abutres, para que os urubus, para que os piratas não atacassem”.
A cada palavra de efeito, era interrompido por aplausos e gritos de apoio dos simpatizantes. “Ibiraci precisa estar nas páginas dos jornais pelas coisas boas, não por conta das pessoas irresponsáveis que forjam provas”.
Entre uma estocada e outra, lembrou o slogan de campanha e disse que a cidade precisa progredir em paz, mas mágoa com o adversário político era evidente. “Quero ser lembrado pela população com lágrimas, não com cuspe. É nojenta a pessoa que faz de tudo para subir no poder. Quem me acusa não é nada nesta cidade. Sou prefeito pela vontade de vocês”.
Ao fim do discurso, a mãe de Ismael puxou a oração do Pai Nosso e foi seguida pelos presentes.
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