O álcool combustível, até então preferido pelos consumidores que possuem carros com motor flex (que são movidos tanto a álcool quanto a gasolina), deixou de ser sinônimo de economia e começa a ser trocado pela gasolina. Desde abril do ano passado - quando chegou a custar R$ 0,89 em Franca - o preço do produto não parou de subir. Hoje, custa, em média, R$ 1,79, e corresponde a 72% do preço da gasolina (R$ 2,49 em média).
Para ser econômico, de verdade, na hora de encher o tanque o preço do álcool não pode ultrapassar 70% do valor da gasolina. Uma maneira fácil de fazer a conta é multiplicar o preço da gasolina por 0,7 e comparar. Se o valor do álcool for maior que o resultado, abastecer o carro com ele não trará vantagens.
O mecânico Samuel Portela tem dois carros, um movido a álcool e outro flex. Nas últimas semanas, só tem andado no carro flex, com gasolina. “É muito mais econômico. Para compensar aqui em Franca, o álcool precisa estar a R$ 1,40. Se for mais, não compensa. Por exemplo, se eu ponho 10 litros de álcool, hoje eu ando dentro da cidade 70 km. Se eu por o mesmo tanto de gasolina, eu vou andar 110 km tranquilo. A diferença é grande”, ensina.
Para o avaliador de veículos e vendedor em uma Concessionária em Franca, Franklin Pereira, quem tem motor flex pode investir na gasolina neste momento. “Por mais que o consumidor pague mais na bomba, compensa colocar a gasolina. O veículo se torna mais econômico. Quem anda com álcool gasta mais percorrendo menos”, disse. Segundo ele, o manual dos veículos zero quilômetros já vêm com uma tabelinha que explica quando compensa colocar álcool.
O dono de uma rede de postos de combustíveis, Rubens Minamihara, disse que nas últimas semanas chegou a faltar gasolina em seus postos. “A procura está muito grande. Sempre controlo a quantidade no estoque, mas teve um final de semana que passamos apuros porque era final de semana e não conseguimos comprar”, disse.
Rubens não quis revelar os valores e nem quantidade de cada combustível vende por mês, mas disse que se antes vendia 50% a mais de álcool do que de gasolina, atualmente o percentual mudou. “Tenho vendido os dois em igualdade ou mais gasolina e sobra álcool nos tanques”, disse.
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