A chuva fina que caiu sobre a cidade não esfriou os ânimos das pessoas mais diretamente ligadas à política em Ibiraci. Desde as primeiras horas da manhã de ontem, um clima de eleição tomou conta da cidade. Viaturas da polícia circularam mais do que de costume. Foguetes estouraram a todo momento. A agitação foi provocada pela oposição ao atual prefeito que esperava a Justiça se manifestar sobre o pedido de cassação feito pelo candidato derrotado em 2008. Antes mesmo de qualquer resultado, a oposição já comemorava uma suposta vitória. Nenhuma sentença foi anunciada e o clima de expectativa continuou dominando a cidade. A Justiça Eleitoral disse que a decisão será conhecida em breve, mas não especificou a data.
A tensão é reflexo de articulações feitas por Tonin Garcia (PMDB). Após perder as eleições para Ismael Cândido (PT) por 260 votos, ele ingressou com ações na Justiça pedindo a cassação do antigo aliado político por suposta compra de votos. Tonin espalhou na cidade e disse em entrevista gravada à reportagem que tinha “informações do Fórum” de que a sentença seria tornada pública ontem. Programou uma concentração de seguidores em sua chácara e espera-va reunir mil pessoas. Até as 10h30, horário em que a reportagem deixou o local, um grupo com cerca de cinquenta correligionários se encontrava na área. Pareciam esperar orientações sobre como proceder.
A menos de 500 metros dali, Ismael Cândido tentava demonstrar tranquilidade em seu gabinete. A reportagem permaneceu com ele por 40 minutos, período em que dois advogados passaram pelo local. O celular do prefeito tocou quatro vezes. Eram amigos comentando que Tonin Garcia estava preparando uma festa para comemorar a decisão. Estrondos de foguetes eram ouvidos a todo o instante. “Eles precisam soltar foguetes mesmo, pois o prazo de validade está vencendo”, ironizou sobre o fato de os adversários, supostamente, terem comprado os fogos para comemorar as eleições de 2008, da qual saíram derrotados.
O prefeito classificou a ação do adversário como desespero de quem ainda não aceitou a derrota e tenta se manter no palanque 16 meses depois da votação. “É o jus-esperniandi (sic). É o direito dele de espernear. Pelo o que acredito, ele tem que dar explicações a seus apoiadores”. Ismael disse que não cometeu nenhuma irregularidade e descartou qualquer possibilidade de derrota na Justiça. “Ibiraci vai continuar seguindo em frente, pois esta foi a vontade da maioria da população”.
Ao mesmo tempo em que dizia estar tranquilo, Ismael cogitava a possibilidade de não retornar para a Prefeitura no período da tarde. Ele disse ter sido orientado por policiais a se afastar do clima de tensão, tendo em vista que, de março a abril do ano passado, sofreu três ameaças de morte e as investigações ainda não estão concluídas. O prefeito ignorou a recomendação e cumpriu o expediente normal o dia todo. Ismael também acredita que a decisão sobre o processo saia nesta sexta-feira, mas prefere nem cogitar a hipótese de ser afastado. “Há uma comunicação da Justiça Eleitoral de que amanhã (hoje) os autos seriam sentenciados”.
<b>SEGREDO</b>
Não é tarefa simples conhecer o teor da ação. Principal interessado no caso, Tonin Garcia foi orientado a não romper o sigilo. “Para a minha segurança, eu não posso falar nada. Digo só que são provas concretas”. A acusação de compra de votos estaria baseada em uma gravação e no testemunho de três eleitores.
As autoridades de Ibiraci mantêm silêncio e se recusaram a falar sobre o processo. No Cartório Eleitoral, uma auxiliar disse que não tinha nenhuma informação a respeito. Também não foi possível saber qual a posição do Ministério Público. “Foi decretado segredo de Justiça e não posso me manifestar”, disse o promotor André Fernando Colucço. O juiz eleitoral Fábio Gameiro Vivancos disse apenas que a sentença será dada em breve. (leia mais em texto de apoio).
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