Toda vez que começa a chover, a tensão aumenta no Jardim Dermínio. Moradores e funcionários que trabalham em um sítio no fim do bairro temem que a ponte improvisada - que faz a ligação entre a Avenida Presidente Rodrigues Alves e a propriedade particular desmorone. Na área, moram três famílias e existem dois barracões onde estão instaladas uma fábrica de solados e outra de acabamentos de couro. Ao todo 55 pessoas dependem da ponte todos os dias para ter acesso e deixar o local.
Eles já ficaram ilhados outras vezes. A última foi após as chuvas no início de janeiro, quando parte da ponte caiu. As águas derrubaram as tábuas por onde os veículos passam. Os moradores ficaram dois dias sem poder atravessar com os automóveis. “Passamos pelo leito do córrego, a pé, até ser arrumada. Temos medo da ponte ser levada pelas águas. Se até ponte de concreto está sendo carregada pelas chuvas, imagine esta de madeira?”, disse o representante comercial Flávio Siqueira, 28, que reside no local.
A ponte, de 36 metros de comprimento e 7,5 de altura, foi construída sobre o córrego nos fundos do Jardim Dermínio pelo proprietário da área, na década de 90. “Antes atravessávamos pelo córrego. Os outros acessos que teríamos até nossas casas ficam dentro de propriedades particulares e os fazendeiros não permitem a nossa passagem”, disse Walter Siqueira, 55, que gastou R$ 5 mil para reparar os estragos na ponte no mês passado. “Caminhão de mudança não passa aqui. Tem de parar do outro lado e carregar os móveis. Muita gente para o carro na avenida e só passa na ponte andando”, disse Walter.
Em 20 minutos de permanência da reportagem no sítio, quatro carros atravessaram a ponte. O gerente de produção José Donizete Tostes, 48, utiliza a passagem várias vezes ao dia. “Sempre vou buscar materiais ao longo do dia. A fábrica está perdendo funcionários por causa da ponte. Tem profissionais que rejeitam trabalhar aqui porque não têm coragem de atravessar por ela”. José Donizete já teve danos no carro provocados pelas tábuas soltas.
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A expectativa deles é conseguir apoio da Prefeitura para construir uma ponte de concreto. Walter Siqueira já fez um orçamento. “As colunas da atual são de concreto e acredito que é possível aproveitá-las. Para terminar, a empresa cobraria R$ 55 mil. Se for de concreto, nos daria muito mais segurança” (leia no apoio).
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