“Ele está pedindo ajuda para resgatar a dignidade que perdeu”. Foi com esta frase que a assistente social do Narev (Núcleo de Apoio e Recuperação da Vida), Cintia Peixoto Rodrigues, resumiu o estado de espírito de um dos jovens que moram no subsolo do prédio inacabado da Avenida Major Nicácio, o “piscinão”. Há dois anos, o rapaz de 18 anos é viciado em crack, abandonou a família e o filho e decidiu morar naquele local com o pai, também viciado. Ele foi o primeiro de um grupo de quatro moradores do local que aceitaram o tratamento oferecido pelos donos da clínica de recuperação a pedido do novo bispo de Franca, Dom Pedro Luiz Strighini.
Antes de se internar, todos devem passar por uma série de análises. A primeira etapa para o rapaz de 18 anos foi vencida ontem. Ele enfrentou uma entrevista com a psicóloga do Narev e depois ainda conversou com a assistente social. “O tratamento oferecido a eles é gratuito. Temos poucas vagas e muita procura. Não podemos aceitar alguém que não queira realmente deixar o vício. Precisamos ter certeza de que não estamos dando esta oportunidade a quem não a quer”, disse a psicóloga Michele Mantovani.
Hoje o jovem ainda deverá passar por exames clínicos. “Vamos averiguar como está o estado de saúde dele para saber se precisará também de acompanhamento médico durante seu período de recuperação”. Se tudo der certo, a internação, que durará nove meses, deve começar no dia 26 de fevereiro, um dia depois de o rapaz completar 19 anos.
O processo do tratamento do Narev se divide em trabalho, oração aplicadas à doutrina católica e disciplina. “Apesar de ele estar um pouco sob efeito de drogas, ele explicou com coerência os motivos que o levaram a sair de casa e entrar no vício. A convivência ruim com o padrasto foi determinante, mas a mãe e os irmãos sempre o visitam, mantendo resquícios de laço familiar, o que é muito bom”, disse a assistente social.
Além do rapaz, sua família, que deverá acolhê-lo depois que completar o processo de recuperação, também receber atendimento. “É fundamental uma intervenção junto com a família, porque quando ele sair da internação ele precisa ter para onde ir”, disse Michele Mantovani.
Os outros três moradores do piscinão, de 21, 27 e 34 anos, que ontem também manifestaram a vontade de se livrar das drogas devem começar a serem examinados na semana que vem. O mesmo tratamento dispensado ao rapaz de 18 anos deve ser aplicado a eles.
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