O domingo de Carnaval não alterou a rotina dos habitantes da caverna. Mesmo com toda a repercussão causada pelas reportagens publicadas pelo Comércio, revelando a situação degradante das pessoas que usam o local imundo para comer, dormir e consumir drogas, nada de prático foi feito para mudar a situação que chocou a cidade.
Quando os policiais chegaram à garagem, domingo de manhã, para apurar a autoria das lesões, seis moradores de rua estavam no local. Dois deles dormiam em sofás quebrados. Dois cães também dormiam em meio à lama. Restos de comida estavam jogados no chão.
Próximo a uma coluna de concreto, uma jovem, com não mais de 25 anos, grávida de seis meses, tentava se esconder dos policiais. Mesmo com o estado adiantado de gravidez, disse que tinha passado a madrugada no local consumindo drogas. “Venho aqui quase todos os dias. Sou viciada em crack”.
No começo da tarde, quando os policiais retornaram do pronto-socorro, já havia dez pessoas debaixo da laje. A grávida tinha ido pedir alimentos nas proximidades de um posto de combustível. Três dos moradores tinham chegado do serviço. Levantam dinheiro vigiando carros na feira livre montada na Major Nicácio. “Tiro uns R$ 20 por dia. Compro tudo em droga”, contou um homem de 41 anos, que mora no local e admite consumir crack junto com o filho de 18 anos. Sentado em um caixote de madeira, um homem tremia e mal conseguia falar. Era visível que estava totalmente drogado.
O garoto de 18 anos é um dos que foram ao PS passar pelo médico para constatar as lesões. Ele disse que pretende deixar o piscinão e se internar para recuperar-se do vício. Antes, porém, vai aguardar a passagem de uma data especial para ele. “No dia 25, vou completar 19 anos e quero passar o dia aqui com os meus amigos. Eles formam a minha família”.
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