Um ano e dez meses depois de a Prefeitura suspender a captura de animais nas ruas, Franca está dominada por cachorros. Eles são facilmente vistos andando em grupos ou solitários. São maltratados e geram muitos incômodos a moradores, nos quatro cantos da cidade. Correm atrás de carros e motociclistas, provocam ou sofrem acidentes, transmitem doenças e atacam pedestres. Ainda fazem sujeira ao rasgarem sacos de lixo e defecarem nas ruas e calçadas.
A suspensão do serviço da carrocinha ocorreu em abril de 2008 após entrar em vigor a lei estadual que proíbe o sacrifício dos animais. A Prefeitura recolhia das ruas uma média de 200 cães por mês e alega não ter condições de continuar o trabalho e depois mantê-los no Canil Municipal. Antes da nova lei, os bichos era capturados e aguardavam cinco dias para serem resgatados ou adotados, caso contrário acabavam sacrificados.
Hoje a Prefeitura só retira os animais das vias públicas quando há registros de ataques, atropelamentos ou os animais estão doentes. Pela estimativa da Secretaria de Saúde, existem na cidade 60 mil cachorros, um para cada cinco habitantes.
Sem conseguir engatar o projeto de castração dos bichos, o número deve avançar. A Prefeitura tem verba reservada (R$ 50 mil) para castrar cães e gatos, mas está prestes a realizar licitação pela terceira vez para contratar uma empresa para realizar as cirurgias. “Não temos condições de fazer as operações, precisamos comprar os serviços, mas não conseguimos interessados ainda”, disse o secretário da pasta, Alexandre Ferreira.
Quem sofre com a superpopulação dos bichos são moradores dos Jardins Aeroporto e Santa Bárbara. Há cães em praticamente todas as ruas. “Aumentou demais o número de cachorros aqui. Alguns até avançam nas minhas crianças. A gente tem de cortar caminho para não ser atacado”, disse a sapateira Ana Paula das Graças, 30.
No Jardim Paulistano, os moradores enfrentam outro problema. No fim da Avenida Brasil, um grande pasto virou ponto de desova de animais. Na Rua Antônio Pizani, ao menos cinco moradores relatam já terem presenciado ações do tipo. Dizem que há anos flagram motoristas parando os carros e despejando cachorros e suas crias. “Sempre vi soltarem cachorros. O problema é que ficam doentes. Várias crianças já pegaram sarna”, disse a sapateira Aparecida de Fátima, 47. O comerciante Anário do Nascimento, 56, teve problemas com carrapatos na semana retrasada. “Tinha carrapatos aos montes, subindo pelas paredes”.
Sara Lima, 19, é balconista numa padaria da Rua Antônio Pizani e diz que está cansada de ter que limpar a urina e fezes dos cães todos os dias na porta do estabelecimento. “Todo dia cedo fica um tanto de cachorro na rua, fazendo xixi e coco. É um cheiro horrível e ninguém faz nada para resolver”.
Abandonar animais nas ruas é crime ambiental. A pessoa está sujeita a multa e detenção, mas a grande dificuldade é flagrar os infratores.
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