No casamento o respeito não pode faltar. E respeito, para receber, é preciso dar. A relação tem de ser agradável, para preencher o tempo e não para fazê-lo passar. Toda dificuldade de respeitar uma pessoa se dissolve se a gente toma consciência de que não é melhor do que ela. Um pedido de socorro à senhora humildade ajuda. O desrespeito é a revelação da soberba, de certo complexo de superioridade, da falsa ideia de que a outra pessoa tem menos valor. Desrespeito é desamor. Discordar até pode, desrespeitar não. Casamento não é disputa. Nada de um querer dominar o outro. Falar alto, ofender verbalmente, agredir fisicamente, debochar, etc., nada disso condiz com o matrimônio. O que diz respeito à intimidade do casal não deve sair da sua esfera. É muito feio um ficar falando mal do outro para os filhos e até para pessoas de fora. Se algo não vai bem entre os dois, eles precisam conversar entre si. Quando houver algo para tratar, é melhor ser direto, ir logo ao ponto, educadamente; nada de ficar com insinuações, com ironia, jogando indiretas, principalmente na frente dos outros. Sempre digo que, em vez de querer moldar o outro, cada um tem de preocupar-se em melhorar a si mesmo.
O cônjuge é aquela pessoa que a gente coloca dentro do coração, tranca e joga a chave fora. É única. A gente gosta e alimenta esse gostar aceitando a pessoa com suas qualidades e seus defeitos, respeitando, tratando bem, esforçando-se para não deixá-la triste. E assim o gostar se engrandece e se eleva à categoria de amar. O amor verdadeiro não exige perfeição, não é cego; vê os defeitos, sabe deles, mas os ignora porque está muito ocupado exaltando as virtudes. Em janeiro, diante do caos com as chuvas, o UOL fez uma pesquisa com os habitantes de São Paulo sobre continuar morando lá. 57% disseram que sairiam se tivessem condições. Esses certamente não se dão bem com a metrópole e seus problemas. Já os 43% que não querem sair são os que têm laços fortes de união com a cidade, são `casados` com ela e não querem separar-se porque, para eles, o que ela tem de bom supera o que tem de mal.
Para a pessoa amada a gente dá o melhor que pode dar, corteja, agrada pelo simples prazer de agradar. Ela é especial e como tal deve ser tratada. Os bons pensamentos, sentimentos e ideias não têm valor nenhum se não saem da órbita psíquica, se não são mostrados e demonstrados. O gostar se revela no diálogo, no envolvimento, na harmonia, na suavidade da fala, no toque carinhoso, no abraço gostoso. Tem de exalar, emanar; não ficar retido. Tudo é permitido. Sem medo de parecer excêntrico, vale até o bilhete de amor escrito num pedaço de papel higiênico. Não se deve perder oportunidade de amar. A vida passa depressa. Não é nada agradável a sensação de que a maior parte do tempo foi desperdiçada. Lá na frente, a satisfação será grande ao ver no balanço que houve muito mais momentos bons do que ruins. Não sou utópico. Aos casais que fazem bodas de prata, de ouro, perguntem se estão arrependidos. Enfim, muito há para falar sobre o casamento, mas, para encerrar, digo que é uma ótima oportunidade para evoluir como ser humano e enriquecer a existência, para a pessoa demonstrar que é um ser pensante, que é muito mais do que alguém que vaga ao léu e só se importa consigo mesmo, errante sob o céu.
Paulo Pereira da Costa
Promotor de Justiça e autor do livro Pensando na Vida – paulopereiracosta@uol.com.br
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