"Não acredito que existam pessoas vivendo assim em Franca". Esse foi o sentimento descrito pelo vice-prefeito Ary Balieiro (PTB) ao ler, na tarde de ontem, as reportagens publicadas pelo Comércio, desde a última quinta-feira, sobre as condições desumanas nas quais vivem 12 pessoas vivem no subsolo de um prédio inacabado na Avenida Major Nicácio.
Para falar sobre o assunto, Ary primeiro refletiu sobre a questão emocional para depois falar como homem público. "Não há como não sentir dó e ficar pesaroso. Não há quem veja a situação e não sinta vontade de querer arrumar aquele local. Eu também estou incluído nisso. Eu sei que são pessoas que estão lá e merecem todo nosso respeito. Eu não acredito que existem pessoas vivendo assim aqui em Franca".
Como vice-prefeito, Ary disse que há algumas dificuldades que impedem o Poder Público de agir. "Não podemos entrar lá só para o nosso bel-prazer, porque é uma propriedade particular invadida por moradores de rua. É um negócio complicado. Muitas vezes, a gente imagina que, sentimentalmente falando, isso traga resultados e, muitas vezes não dá. Você tem que ir pelo racional e aguardar".
Em sua opinião, a Prefeitura hoje dispõe do que seria um dos melhores programas sociais da cidade para atender moradores de rua, o Busca Ativa, executado através do Abrigo Provisório Municipal junto à Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social. A Prefeitura oferece espaço para repouso, alimentação, médicos e advogados aos moradores de rua. "Mas quando o cidadão não quer é complicado. Isso acontece muito. A coisa parece simples, mas dentro dessa simplicidade existem obstáculos intransponíveis. Não podemos intervir em uma área particular. Estamos simplesmente de mãos e pés atados".
Ary Balieiro disse que passará os dias de Carnaval pensando em alternativas. "É momento de refletir e ver o que podemos fazer".
POLÍTICOS
O deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB), que está em Taiwan (República da China) numa missão oficial, disse que o local precisa ser interditado ou demolido e as pessoas precisam receber atenção do Poder Público. "Sei que não há como forçar pessoas ao trabalho, mas é preciso dar assistência, oferecer possibilidades de capacitação aos que querem ajuda. Ignorar nunca ou se esquivar do problema nunca é a melhor saída".
Gilson de Souza (DEM), deputado estadual, citado na primeira entrevista como “amigo” pelos próprios moradores do local por sempre levar comida ao local, disse que ficou comovido com o fato. Junto com a sua equipe de assessores, Gilson está se mobilizando para oferecer reabilitação aos moradores do subsolo que são dependentes químicos que querem largar o vício.
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