O novo Estado


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A questão que deverá permear as grandes discussões e reflexões nos próximos tempos será, certamente, sobre qual modelo de Estado teremos na sociedade futura. De maneira condescendente projeto essa dúvida para a sociedade futura porque, no presente, o Estado já tem o modelo, ou representado o papel de bombeiro e de médico emergencialista. Há algumas décadas temos convivido com o discurso neoliberal antiestado, fortemente defendido pelo capitalismo norte-americano e inglês, mal disfarçado no discurso pró-Estado mínimo dos tucanos no Brasil e que manteve um confronto direto com o socialismo soviético e com o fascismo. Esses souberam, também, utilizar-se do Estado criando algo não menos monstruoso. A crise financeira recente expôs toda a vulnerabilidade desse pensamento liberalizante e o sociólogo Emir Sader, em artigo recente, diz como os liberais definem o seu modelo de Estado preferido: `é o que lhes fornece subsídios, isenções, créditos, perdões de dívidas. Em suma, Estado mínimo para a grande maioria dos explorados, oprimidos, discriminados. E Estado máximo para o grande capital e o grande empresariado`. O neoliberalismo tem praticado uma verdadeira desqualificação do Estado. Ele mantém no Brasil, nos cargos visíveis da república, simpáticos representantes do capitalismo local que fazem o discurso desestatizante, enaltecendo a capacidade da iniciativa privada de gerenciar os problemas ligados ao desenvolvimento do País e do povo e, estrategicamente, ironiza a ignorância popular em eleger seus representantes, julgando-os, na maioria, desqualificados, burlescos, e muitos passíveis de serem corrompidos. O grande desafio colocado para nós é delinear um novo modelo de Estado com papel e atribuições definidas na medida da importância que os grandes problemas adquirem no mundo. Já não é suficiente o discurso do Estado apenas regulador e, nem eficiente, o discurso do Estado interventor. Os modelos recentes de Estado que conhecemos estão todos falidos. Não há outra maneira de projetarmos um bem estar futuro para a humanidade se não elaborarmos um modelo alternativo e, indiscutivelmente, não serão os detentores do capital monopolista e excludente que estarão aptos a essa reformulação do Estado. Obviamente que esse novo modelo não poderá ser de um Estado absoluto e autoritário porque isso privilegia o parasitismo político e social e danifica a criatividade humana. Para contribuir com a discussão, e exemplificando com um dos complicados problemas da humanidade, é interessante lembrar que a FAO (órgão da ONU para a Agricultura e Alimentação) prevê uma diminuição de 20 a 40% na produtividade agrícola nas regiões da África, Ásia e América do Sul se a temperatura do planeta subir mais de 2 graus e, ao mesmo tempo, a mesma FAO divulgou que o número de famintos no mundo passa de 1 bilhão. Pergunto: quem vai resolver esse caos humano? Um modelo de Estado mínimo e coadjuvante dos interesses do capital ou um modelo de Estado fomentador de políticas públicas transformadoras? Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário

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