Pacientes que dependem da rede pública de saúde têm enfrentado um verdadeiro martírio nas últimas semanas para tentar marcar consulta com clínico geral. As filas nas portas das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) voltaram a se formar durante a madrugada. O problema foi registrado no Jardim Ângela Rosa, Guanabara e Brasilândia.
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, disse que ainda analisará detalhadamente o problema, mas, num primeiro momento, credita a dificuldade em conseguir um horário às férias de alguns médicos e migração das pessoas da rede particular para a pública. Por semana, as 14 UBSs realizam em média 4,5 mil consultas com clínicos gerais.
A faxineira Saula Soares, 51, mora na Vila Santa Rita e, na última terça-feira, chegou às 4 horas na UBS do Ângela Rosa para tentar uma consulta com clínico geral. Aguardou na fila até 7 horas quando a unidade abriu e iniciou a distribuição de senhas, mas não conseguiu vaga. “Fiquei muito nervosa. É uma pouca vergonha. A gente da classe pobre que não tem como pagar uma consulta está sofrendo”.
Há cerca de três meses, Saula está com problemas intestinais. “Depois que me alimento não passa meia hora e tenho que ir ao banheiro e parece que comi só água. Não sei se estou com alguma coisa séria e como é que vou saber se não consigo médico? Preciso ser consultada”, desabafou.
Moradora do Parque dos Pinhais, a dona de casa Maria Laura Faleiros, 56, viveu o mesmo drama e por duas vezes. Acordou de madrugada nas duas últimas terças-feiras e seguiu a pé até a UBS do Guanabara na expectativa de conseguir horário com clínico. Voltou para casa sem agendar a consulta. “Cheguei lá 4 horas da manhã e já tinham 27 pessoas na minha frente. Eles só distribuem 20 senhas. Fui embora sem marcar”, disse. Maria Laura precisa ser consultada pelo clínico geral para ser encaminhada para o cardiologista.
Saula e Maria Laura participaram do programa Show da Manhã, apresentado por Valdes Rodrigues na rádio Difusora, ontem. Depois de se queixarem, vários ouvintes ligaram para a emissora relatando as mesmas dificuldades. Cleusa Cândido, 47, foi um deles. A pespontadeira está com problemas na coluna e tem contado com a ajuda do cunhado de 75 anos para tentar conseguir atendimento na unidade do Brasilândia. Todas as quartas e sextas-feiras, o senhor chega à UBS às 5 horas, mas ainda não conseguiu encaixar o nome de Cleusa na lista de pacientes. “Estou sofrendo muito porque estou muito acima do peso e com fortes dores na coluna e nas pernas. Não posso pagar um médico particular”, disse.
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