O processo de atribuição de aulas da Diretoria Regional de Ensino de Franca se transformou em uma verdadeira prova de resistência na última terça-feira. A espera dos professores para ter escolher onde dar aulas a partir da próxima semana quase 20 horas e se estendeu pela madrugada fria e chuvosa.
A atribuição começou às 8 horas com o pátio interno da Diretoria Regional lotado e assim permaneceu ao longo de todo o dia. Acomodados em cadeiras escolares, os professores eram chamados em grupos de seis. O anúncio dos nomes era feito no microfone e os presentes subiam uma escada de acesso ao piso superior, onde faziam a escolha das aulas amparados por uma equipe de supervisores. Durante a tarde, professores reclamaram que o processo ficou três horas parado.
Um professor, que pediu para ser identificado apenas como Eduardo, disse que foi vencido pelo cansaço depois ter esperado até as 4 horas da madrugada de ontem para ser chamado. “Desisti de servir de palhaço no circo montado na Diretoria de Ensino de Franca. É um descaso com os professores, uma enorme vergonha. Senti-me humilhado sendo privado do bom sono e do conforto de minha casa”, disse.
Professores que permaneceram no local durante a madrugada disseram que não havia nem mesmo papel no banheiro feminino. Cansadas da espera, algumas debruçaram nas carteiras com sono. Aflitas, falavam a todo momento com familiares no celular. “Só tem o café dado pela Apeoesp. Estou sem almoçar e ainda não jantei. É um tremendo descaso”, disse outra professora, que não quis dar nem o primeiro nome com medo de retaliações.
Ontem de manhã, a dirigente regional de ensino Ivani Marchesi disse que o avanço pela madrugada foi um caso excepcional e explicou que a atribuição obedece uma ordem de classificação. “Quem tem pontuação melhor é atendido na frente, nas primeiras horas. À medida que o processo vai transcorrendo, os de classificação não muito boas ficam em dúvida do que escolher e a dúvida precisa ser respeitada. O tempo de decisão do professor precisa ser respeitado e isso faz com que o processo seja moroso”.
Ontem, a Secretaria Estadual de Educação disse, em nota, que a atribuição de aulas na região de Franca começou no horário determinado pela Diretoria de Ensino de Franca e “somente na terça-feira, atendeu 722 professores”. A nota prossegue dizendo que “para atender a demanda, havia 51 funcionários da comissão de atribuição e todos os presentes foram atendidos e suas dúvidas e atribuições realizadas”.
Em outras diretorias de ensino consultadas pela reportagem, como Ribeirão Preto e São do Rio Preto, o processo de atribuição não ultrapassou as 19 horas.
Nesta quarta-feira não houve atribuição na diretoria.
desumano.
O diretor estadual da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), Luiz Gonzaga José, criticou ontem o processo de atribuição de aulas conduzido pela Diretoria Regional de Ensino de Franca. Para ele, o procedimento foi desastroso e desumano com os professores. “Houve desorganização e falta de boa vontade”.
Descontente com a situação, prometeu debater o problema com o conselho estadual do órgão na próxima semana e disse que os professores ameaçam greve para março.
Gonzaga disse que a atribuição de aulas precisar ter hora para começar e terminar e ser feita de forma digna. Segundo ele, os professores só permaneceram no local em razão do medo de retaliações. “Falta dignidade por parte do governo e nós não vamos tolerar esse desrespeito com os profissionais. Vamos discutir a possibilidade de cruzar os braços”.
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