O “homem mais velho” trabalhou em fábricas de calçados e numa transportadora. Em 2001 perdeu o emprego e a família. Há quatro anos, vive no piscinão e atua como flanelinha.
Comércio - Desde quando o senhor vive na rua?
Homem - Desde quando perdi meu emprego e minha família, em 2001. Cheguei um dia em casa e minha mulher tinha ido embora com nossos três filhos. Fiquei na casa (no Progresso) um ano. Sem emprego, não paguei aluguel e tive que sair.
Comércio - Onde está a sua família?
Homem - Meus filhos, de 15 e 17 anos, estão com a mãe. O outro, de 19, está aqui comigo. Minha mãe de 79 anos e meus irmãos moram aqui perto.
Comércio - Porque você veio morar aqui?
Homem - Não tem outra opção. Não vou sair por aí invadindo casas.
Comércio - Por que você prefere estar aqui em vez do Abrigo?
Homem - Aqui não tem ninguém para mandar em nós. Temos regras, mas temos liberdade Quem mora aqui não pode gritar, não pode trazer menor para usar droga, não pode mexer com a vizinhança e praticar furtos. Se descumprir as regras, expulsamos.
Comércio - O senhor sente falta de alguma coisa?
Homem - Só sinto falta da minha família.
Comércio - Tem algum sonho?
Homem - Tirar meu filho das drogas é meu único sonho.
Comércio - Qual foi a última vez que o senhor chorou?
Homem - Ah! Aqui a gente chora todo dia. Por saudade da família, fome...
Comércio - De quem é a culpa pelo senhor estar nessa vida?
Homem - A culpa é só minha.
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