Violência migra para o Interior


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Na nova geografia da violência em São Paulo, 45 municípios registraram, proporcionalmente, mais assassinatos que a Capital em 2009. A divulgação dos dados de 2009 da segurança pública em São Paulo repercutiu negativamente para o governo do Estado semana passada. No balanço dos 12 meses corridos do ano, houve aumento de violência em relação a 2008. A segurança pública piorou. O governador Serra diz que os números mostram queda no último trimestre do ano, no que está correto. Se isso se consolida uma tendência, ainda é cedo para saber. É preciso esperar um pouco mais. Para o Interior Paulista as estatísticas soaram como alarme. Em muitas cidades, a escalada do crime organizado é visível pelos números. A análise dos dados aponta uma nítida migração da violência para o Interior Paulista, para alívio dos paulistanos que vêem gradualmente resgatado pelo menos esse item de qualidade de vida, já que o trânsito é cada vez mais caótico. Na nova geografia da violência em São Paulo, 45 municípios registraram, proporcionalmente, mais assassinatos que a Capital em 2009. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Domingos Paulo Neto, disse textualmente: “Está claro que houve uma migração da criminalidade para o Interior. Muitas cidades que antes eram pequenas enriqueceram, têm indústrias, usinas etc. E isso atrai os bandidos”. Não é bem assim. A interiorização da índústria começou a partir dos anos 70 num raio de 100 quilômetros da Capital, nos eixos de Jundiaí/Campinas pela via Anhanguera, S. José dos Campos pela Dutra e Sorocaba pela Castello Branco, e irradiou-se para outras regiões. O movimento das usinas começou com o Programa Nacional do Álcool (Pro-Alcool) já em 1975. A novidade mesmo é a descentralização do sistema penitenciário. Com a rede de unidades prisionais em expansão no Interior, houve a ramificação do tráfico de drogas. Se é justo ou não o Interior compartilhar a insegurança, se é tecnicamente correto ou não, isso é outra história. Mas as autoridades não podem omitir o peso da atual política presidiária nos novos dados que apresentam à opinião pública. E já que a realidade é essa, é preciso reforçar a ação preventiva e repressiva. Com mais eficiência das polícias, e a participação das comunidades, é possível melhorar os índices na Capital e obviamente no Interior Paulista. <b>CRISE ECONÔMICA</B> Logo que saiu o balanço da Secretaria da Segurança Pública, o governo apressou-se em dizer que a alta de homicídios em 2009 sobre 2008 se devia à crise econômica nos três primeiros trimestres. Em seguida, um coro de delegados e especialistas repetiu a interpretação. O Globo disse em editorial que não há unanimidade na correlação direta entre crise econômica e violência. Fosse assim, Nova York, que ano passado mergulhou em grave recessão, não teria ostentado os menores índices de casos policiais da história recente, opinou o jornal. Dado mais recente parece confirmar o alerta do jornal carioca. Os números da violência no Rio mostram queda no indicador de homicídios naquele Estado, ao contrário de São Paulo. <B>TRÂNSITO</B>o Os números chocam: 53.052 pessoas morreram em acidentes de trânsito no ano passado no País, 118.021 ficaram inválidas e 85.399 feriram-se, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Do total, 28% dos casos foram de atropelamentos de pedestres – 72.022. Só catástrofes como o terremoto no Haiti superam essa tragédia no que se refere ao número de vítimas. Passou da hora de as cidades se mobilizarem para diminuir o número de vítimas do trânsito – com campanhas de conscientização e intervenções viárias. <B>BREVES</B> — Rio Preto lidera o ranking dos municípios com o maior número absoluto de casos de dengue. Seguem-se Araçatuba e Ribeirão Preto. — O Pão-de-Açúcar, o maior grupo de varejo da América Latina, inaugura hoje uma loja da Rede Assaí em Caruaru, capital do forró, no Agreste pernambucano. — O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, vetou projeto de lei que obriga estabelecimentos comerciais a substituir embalagens plásticas por reutilizáveis ou renováveis. — O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, tem novo presidente, o desembargador Walter de Almeida Guilherme. — Desde a segunda-feira, o local da antiga Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo, é uma ousada biblioteca do Estado, inspirada nas modernas lojas mega store. <B>Wilson Marini</B> wmarini@apj.inf.br

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