Muita gente já voltou às aulas. As escolas particulares de ensino fundamental e médio deram início ao ano letivo no final de janeiro. A rede municipal, que comporta alunos da pré-escola, do ciclo inicial e do curso de EJA (Educação de Jovens e Adultos, ex-supletivo), está de volta nesta semana. Parte das faculdades também retornou ontem, para pelo menos recepcionar os calouros.
As aulas do Estado só começarão no próximo dia 18, logo após o Carnaval. Assim, a grande massa estudantil inicia o ano letivo praticamente a uma semana de março começar.
Na realidade, todas as modalidades educativas entrarão mesmo no ritmo só na última semana de fevereiro. Os dias anteriores, intermediados pelos festejos carnavalescos, servem como uma espécie de pré-temporada escolar.
Pela legislação atual, o ano letivo tem duração de 200 dias para todo tipo de curso. Assim, a instituição que inicia as aulas antes vai também encerrar as atividades pedagógicas antes. No fim, estas discrepâncias iniciais de datas serão igualadas ou compensadas no encerramento de 2010.
Não faz muito tempo, as aulas do antigo primário começavam em fevereiro. O ginásio e colégio iniciavam os estudos só em março. Já o ensino superior dava a largada no início do terceiro mês do ano. Julho era totalmente dedicado às férias de inverno. Com um ano letivo de 180 dias, parece que se aprendia muito mais. Mas, desde 1996, aumentaram a quantidade de dias para estudo.
Junto ao aumento da carga horária anual, com o intuito de melhorar a qualidade de ensino, implantaram também a progressão continuada. Pelas novas diretrizes pedagógicas, o aluno entra na escola e tem garantia de chegar à oitava série (agora virou nono ano), mesmo sem ter tirado nota suficiente para aprovação, desde que garanta 75% de frequência às aulas.
Fazer provas, nem pensar. O aluno passa por avaliações. Sabendo que não toma bomba (esta expressão não pode ser usada, de acordo com a pedagogia moderna, então leia: sabendo que não fica retido na mesma série), qual estudante vai se dar ao trabalho de estudar? Aliada a essa percepção, nascem a indisciplina e a falta de respeito na sala de aula, além de outros fatores interruptores da aprendizagem.
Mesmo assim, existe o Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo). A prova, ou melhor, a apreciação das habilidades e competências ocorre sempre em novembro. Depois, o aluno nem fica sabendo a nota que tirou. E saber para quê? O resultado não se aplica a nada na vida do estudante. É como se fosse um jogo amistoso. Não conta ponto nenhum.
O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), ao contrário, apresenta o resultado ao participante. A nota serve de parâmetro para ingresso na faculdade. Não bastasse isso, a pontuação pode ser usada no Prouni (Programa Universidade para Todos), para que o candidato pleiteie vaga em cursos particulares, com direito a obter bolsa de estudo parcial ou até integral, dependendo da classificação.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.