Sob um forte calor, muitos de pé e sem nada no estômago. Assim foi a segunda-feira para mais de 1,8 mil professores não concursados que buscam uma vaga nas escolas da rede estadual de ensino. O processo de atribuição de aulas para os profissionais temporários lotou o pátio da Diretoria Regional, localizada no antigo prédio do Cefam. Os educadores enfrentaram até dez horas de fila para garantir o emprego em 2010. Ao final do dia, boa parte foi embora sem vaga. A atribuição continua hoje e segue até completar as aulas remanescentes, cujo número não foi divulgado. O educador que não comparecer e for chamado perde o lugar.
No primeiro dia da atribuição, o cansaço tomou conta dos professores que se queixaram da longa espera e da falta de informações sobre a disponibilidade de vagas. Quem chegou primeiro conseguiu se sentar nas poucas cadeiras e bancos distribuídos pelo pátio e jardim. Temendo ser chamado, não responder e perder a vaga, muitos não deixaram o prédio sequer para almoçar. "O professor é tratado como bicho. Isso sempre acontece e ninguém toma providências para mudar", disse uma educadora que pediu anonimato. Ela chegou ao local pouco depois das 8 da manhã. Ficou de pé até às 15 horas - momento em que foi encerrada a atribuição para professor PEB l (1ª a 4ª série do ensino fundamental). Só lhe restou ir embora sem as aulas garantidas.
Para um professor de Português que estava presente, a incerteza preocupa. "Estamos todos em uma lista geral. Não sei quanto tempo vou ficar aqui, se terei que voltar amanhã e, ainda pior, não sei quantas vagas existem ou se terei o emprego", disse ele ao deixar o prédio depois das 17 horas. Ele chegou ao local por volta das 8 horas. O processo de seleção só terminou perto das 19 horas.
A dirigente de Ensino, Ivani Marchesi, concordou que o processo é lento, o que justifica as reclamações por parte dos professores. No entanto, não há outra maneira de realizá-lo. Segundo ela, durante a atribuição todos os inscritos, de todas as disciplinas, devem comparecer à Diretoria Regional no mesmo horário. Lá eles são selecionados de acordo com a pontuação tirada na prova realizada pelo Estado no final do ano passado que é somada ao tempo de serviço na rede. Os melhores colocados são chamados primeiro e têm o privilégio de escolher a unidade onde querem lecionar.
Para ela, o educador tem o direito de ficar à vontade para escolher a escola. E, neste momento, não há como agilizar a distribuição da aula. "O candidato fica na banca quanto tempo ele achar necessário. Daí a demora. A vida profissional dele está em jogo. Temos que ter paciência porque de uma boa decisão depende seu futuro profissional".
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.