A reportagem do Comércio da Franca passou praticamente 24 horas dentro do mosteiro de Claraval (MG). Entre os dias 27 e 28 de janeiro, conheceu todas as suas dependências e desvendou como é a vida monástica de homens que deixaram tudo para ter um cotidiano de oração e trabalho.
Um templo de oração, onde há regras e horários. Um lugar decorado com muitas peças em madeira, imagens de santos e obras plásticas de um antigo monge, padre Agostinho Caputi, que retratou em muitas de suas telas, a paisagem campestre que cerca a região.
Com o número de quartos do local, dá para dormir quase dois meses no Mosteiro sem repetir dormitório. O total de salas e capelas também chama a atenção de quem adentra o interior de um prédio construído por operários da região, em estilo neogótico nos mesmos moldes dos mosteiros europeus. “Os recursos foram arrecadados de doações de benfeitores da região e outras vindas da ordem na Itália. Os monges fundadores percorreram vários quilômetros a cavalo para buscar doações”, diz irmão Guilherme, o escolhido para nos recepcionar.
De hábito branco com escapulário preto por cima e uma faixa amarrada na cintura, sandálias e meias na mesma cor, os monges acordam às 5 horas e fazem sete momentos de oração em horários pré estabelecidos. Posicionados no coro da igreja, cantam os salmos com afinação e em sintonia. Todos os dias também participam da missa celebrada às 6h15. Em razão do horário, a presença de fiéis é pequena.
Quando o sol começa a surgir, seguem em fila para a Sala do Capítulo, onde leem uma parte da regra que norteia a monastia, rezam pelo santo do dia e repassam recados ou outras informações relevantes. Na manhã de quinta-feira, o prior do mosteiro agradeceu a presença do Comércio e desejou que a matéria suscite novas vocações.
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O café da manhã é regado a leite, café e os pães, broas e roscas feitas na própria padaria do mosteiro. O clima fica descontraído, os religiosos conversam sobre os seus afazeres do dia e logo saem cada um para o seu trabalho. Voltam a se encontrar na oração que precede o almoço, de comida simples, mas saborosa, e sem carne às quartas e sextas-feiras e no período da Quaresma. A refeição da quinta-feira parece de domingo, macarronada italiana, arroz, feijão, salada de beterraba e frango assado com batata. Refrigerante para acompanhar e pudim de sobremesa. Irmão Mateus foi o encarregado da semana por preparar a mesa e servir a todos. Só depois de recolher os pratos, senta e almoça.
No intervalo de recreação, assistem TV. O sino avisa que o descanso acabou. Os monges partem para a igreja para mais um momento de oração. Na sequência, voltam para suas tarefas cotidianas. Padre André, que de manhã cortou a grama, e irmão Afonso, o padeiro do mosteiro, vão para Franca fazer compras, os novatos entram na biblioteca, irmão Mateus e irmão Guilherme se despedem da reportagem esperançosos de que ao menos uma das janelas do mosteiro de Claraval seja para o mundo.
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