Chuvas e eleições


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O PT entrou segunda-feira com representação na Procuradoria Geral de Justiça para que sejam apuradas suspeitas de improbidade na gestão do governador Serra, que teria reduzido recursos no orçamento para a prevenção e o combate às enchentes. O calor chega ao extremo e chove sem parar no Estado. Na Capital, há 45 dias ininterruptos e não se prevê trégua até março. As represas do Sistema Cantareira estão cheias até a boca. Segundo a Sabesp, mesmo se houver precipitação abaixo da média nos próximos meses, o abastecimento de água está assegurado até fevereiro de 2012. Ou seja, após as eleições. Eventual falta d’água seria fatalmente explorado na campanha deste ano. A Sabesp segurou até que pôde as águas das represas, confiando em curvas estatísticas do passado. Esta coluna obteve com a Agência Nacional de Águas (ANA) em Brasília a informação de que o armazenamento de água ‘tirou as condições de manobra do sistema, que operou próximo do limite máximo’. As comportas foram abertas só a partir de 18 de dezembro, tarde demais no entender também do Comitê de Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que havia pedido descargas nos reservatórios já em outubro. Agora, a população sob ameaça de inundações reza para que pare a chuvarada. Afastado o fantasma da falta d’água, o PSDB lida com o excesso. O PT entrou segunda-feira com representação na Procuradoria Geral de Justiça para que sejam apuradas suspeitas de improbidade na gestão do governador Serra, que teria reduzido recursos no orçamento para a prevenção e o combate às enchentes. Serra reagiu como relâmpago. Na sexta-feira, o governo anunciou suplementação orçamentária de R$ 104,4 milhões para canalizar córregos, recolher o lixo e remover 1.300 famílias em áreas alagadiças. R$ 200,6 milhões já estavam previstos. Abriu os cofres e esvaziou a denúncia do PT. Como se vê, a campanha eleitoral está em pleno andamento. <b>PISCINÕES</B> Em relação à nota “Faltam Piscinões” nesta coluna no domingo último, que abordou a falta de reservatórios para absorver o excesso de chuvas na Grande São Paulo, a Secretaria de Saneamento e Energia do Estado responde: l Há desde 1998 um Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê. Foram implantados piscinões capazes de armazenar 70% do volume planejado. l O Estado tenta convencer os municípios da Região Metropolitana de São Paulo a disponibilizar áreas para construção de novos piscinões. As dificuldades: forte adensamento e alto valor dos terrenos. O comunicado da Secretaria confirma o espírito da nota publicada — a falta de piscinões. Se o armazenamento hoje é de 70%, resta então providenciar 30%, se estiver correta a conta de 1998 em relação à necessidade de 2010. É bom lembrar também que as chuvas não esperam a conclusão de projeto algum. Os efeitos são sentidos aqui e agora. <B>PISCININHAS</B> Faz falta também uma rede de “piscininhas” em condomínios, empresas e cidades do Interior. A criação de faixas de grama em calçadas é outra medida que ajudaria a absorver a água da chuva. Com pequenas atitudes dos cidadãos, como jogar o lixo no lugar certo, muita coisa poderia ser evitada. Além de leis urbanísticas municipais mais rigorosas e investimentos do governo. <B>CITRICULTURA</B> Preocupa a ocorrência de greening, doença que ataca laranjais paulistas. Segundo a Tribuna Impressa, Araraquara começa a perder a vocação histórica dos pomares. Cerca de 746 mil árvores, de um total de 22 milhões na região, foram erradicadas na região. O secretário de Agricultura, João Sampaio Filho, diz que a cultura vai migrar para outras áreas do Estado. <B>Wilson Marini</B> wmarini@apj.inf.br

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