Atire a primeira pedra


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No começo desta semana recebi e-mail do amigo Waldir Paludeto, diretor jurídico da Câmara Municipal, descrevendo com humor a mania que o brasileiro tem de reclamar dos governantes, esquecendo-se que os políticos que aí estão são a cara da nossa sociedade, retrato fiel do Brasil em que vivemos. São 35 itens enviados pelo Waldir. Todos eles mostrando que o brasileiro adora praticar atos ilícitos, como dirigir após consumir bebida alcoólica, jogar lixo nas ruas quando não está sendo observado, subornar ou tentar subornar quando é pego cometendo infração, fazer gato de luz, de água e de tv a cabo, estacionar em vagas exclusivas para deficientes e adulterar combustíveis, alimentos e remédios, entre outros. O texto enviado termina com a pergunta: e quer esse povo, que aplaude o vencedor do Big Brother mas não sabe o nome de um escritor brasileiro, que os políticos sejam honestos? Verdade. Reclama-se muito de políticos corruptos. Contudo, não é irrelevante que a corrupção quase generalizada no meio político nasceu, em parte, da própria cultura em que se estabeleceu. O respeito às leis é corriqueiramente desdenhado pelas pessoas comuns e dá lugar à ‘desonestidade esperta’ em muitas ocasiões. Parodiando Cristo, quem ousaria atirar a primeira pedra? Qual cidadão assim tão limpo de pecados e culpas para querer que seus representantes ajam e posem como anjos? Compramos produtos piratas diariamente sem o menor pejo; lesamos o Imposto de Renda sempre que possível, ficamos encantados quando recebemos um troco a mais e estamos sempre dispostos a ganhar um dinheirinho extra sem se preocupar com sua procedência. Pois bem, esse povo que nos horroriza na Câmara e no Senado, somos nós mesmos, com os poderes que eles possuem. Quem nunca aproveitou a estrada deserta para ultrapassar, mesmo na lombada? Quem não faz aquela contramão para não ter de percorrer dois quarteirões? Quem não abraça o amigo para furar uma fila de banco? Quem não cala quando o garçom deixa de anotar uma ou duas doses? São delitos pequenos, mas o espírito é o mesmo que leva nossos parlamentares a meter a mão em milhões. É a Lei de Gerson que manda neste País, a de levar vantagem em tudo sem se preocupar com o preço. Exigimos a lisura completa dos nossos representantes, mas vamos incomodar ele próprio para arrumar um emprego para aquele parente necessitado. Sem concurso, é claro. Vamos incomodar nosso senador para uma bolsa de estudos para o filhote quando temos condições de pagar. Já quando nosso deputado ou senador resolve prevaricar, a gente fica indignado, como se essas nossas maracutaias não fossem crime também. Não é tão raro que vejamos uma pessoa acima de suspeitas praticando atos indecorosos, com a desculpa de que envolve objetos de pouco valor. Um exemplo é o furto de produtos pequenos, como bombons, calcinhas e canetas, em lojas desprovidas de sistema antifurto e o de papéis higiênicos e sabonetes em instituições públicas. Outras explicações utilizadas é que ‘só uma coisinha dessa não vai fazer diferença para um prédio desse tamanho’ e que a instituição ‘tem muito dinheiro e vai repor depois’ o produto furtado. O crime não tem tamanho. Roubar um bombom, uma calcinha ou um banco é roubar. Não podemos exigir neste Brasil onde a tradição se orgulha do ‘jeitinho’ que nossos representantes sejam vestais puras, imaculadas e inocentes. Eles saíram de nossa sociedade, do nosso meio e pensam, agem e erram como nós. Só que publicamente. <b>PARABÉNS, JÚNIOR</B> Hoje é uma data muito especial para ser lembrada e festejada. É o aniversário de Corrêa Neves Júnior, diretor executivo do GCN Comunicação. Não me esqueci de você, Júnior. Afinal também sou prisioneiro de sua amizade, simpatia, inteligência e bondade. Que você possa sempre celebrar o dom da vida cercado pelo carinho dos amigos que sempre soube cativar. Parabéns pelo grande dia, pela saúde, dinamismo e pelo encanto de viver... Felicidade! <b>ACHA POUCO?</b> Quinhentos mil dólares. Será esse o cachê de Paris Hilton para que compareça em um camarote na Sapucaí, no Carnaval. <b>FRASE</B> ‘Pelé calado é um gênio. Falando é um desastre de avião’ (Romário). <b>POSITIVO</B> Pode ficar mais fácil trocar o carro velho por um novinho em folha. Tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei que isenta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) os carros novos que forem adquiridos em troca de outro automóvel com mais de dez anos. Os veículos usados, recebidos nas permutas, deverão ser destinados ao desmonte. <b>NEGATIVO</B> A população francana tem de civilizar-se e colaborar com a Prefeitura na campanha de respeito à faixa de pedestres. A grande maioria dos acidentes acontece nas travessias. <b>A PESCARIA</B> Um doido, sentado numa cadeira, segura um balde com água, onde põe uma varinha de pescar. O psiquiatra indaga: ‘O que você está pescando?’. O doido responde: ‘Idiotas, doutor’. E o médico, curioso: ‘Quantos já pescou?’. ‘Com o senhor, oito’. <b>Edward de Souza</B> Jornalista e radialista - <i>edward@comerciodafranca.com.br</i>

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