A sabedoria do mestre Houaiss ensina que o rato não é portador de qualquer predicado. Ele é simplesmente roedor, difusor de doenças, dá cabo das coisas, martiriza, destroi. Perturbador do meio ambiente prolifera-se de maneira assustadora graças à fertilidade que, incontida, aterroriza colônias humanas. No rato teve origem a peste negra surgida na Idade Média, responsável por dizimar um terço da população da Europa do século XIV. A história é reveladora de sua infestação maléfica no interior das galerias de Paris. A urina do rato sugere a presença de grave doença: leptospirose. Até na área da informática o rato, (Mouse) carrega maldade ao provocar tendinite.
Quando Juscelino, o presidente pé de valsa, sonhou a construção de Brasília, seu pensamento jamais atinou com a eventualidade de existência no planalto goiano de ratazanas e rato preto, urinando, espalhando pêlos ao atravessarem suas expressas e agressivas avenidas. Ao falar do rato preto não sugiro ignorar-se o rato branco, também definido por Houaiss, tão perigoso e, absolutamente nocivo à sociedade, praticando furto, trapaceando, agenciando no Judiciário, na polícia e seio da política, a mais acentuada corrupção.
Se a atroz infestação de rato preto na nova capital, Brasília, os governantes conseguiram controlar, minimizando efeitos e proliferação, há outra muito pior, podendo exultar-se na impunidade, nos acordos remunerados, nos valores embutidos em vestimentas, depósitos em contas na China e paraísos fiscais. Esta como verdadeira praga em vicejo crescente sem respeito ou pudor domina o dia a dia na capital federal assolando os cofres públicos exaurindo-lhes recursos que o povo deposita para dotar-lhe saúde, educação e cultura.
Chegamos ao ano de novas eleições, momento de renovação do Executivo e Legislativo, hora de negociações caríssimas a criar blindagem de pessoas que buscam perenidade no poder. Blindar José e seu filho Fernando, tem sido meta obsessiva do filho do Brasil, que nasceu de dona Lindu em Garanhuns (PE). Fernando representa o clã Sarney nos escusos negócios que o poder permite ao senador, levando pelo Judiciário o Estadão à censura, proibindo noticias da investigação do processo Boi Barrica.
O TJE visualiza mudança necessária nas doações de recurso de campanhas. Entretanto, os membros do Congresso manifestam-se contrários. A prática atual nas doações tem mostrado ser uma vergonha nacional onde, dinheiro do Estado é apropriado indevidamente pelos espertos eleitos em conchavo com empreiteiras.
Quero aqui indicar a correta solução: doadores de recursos seriam obrigados a clara identificação de suas bondades ao doar e empresas e seus participantes renunciariam direitos de participar em licitações ou chamadas de prestação de serviços ou fornecimento a órgãos públicos de todas as esferas de governos.
Ratos e ratazanas em sua dança frenética aprovariam as medidas? Haveria brasileiros de boa vontade, com desprendimento, para fazer doações?
Garcia Netto
Jornalista
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