As infernais sextas-feiras da Avenida Champagnat


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<b>NO MEIO DA RUA </b>- Jovens descem uma das pistas da Avenida Champagnat em meio aos carros. Eles transformam a via em corredor de passagem
<b>NO MEIO DA RUA </b>- Jovens descem uma das pistas da Avenida Champagnat em meio aos carros. Eles transformam a via em corredor de passagem
Todas as noites de sexta-feira uma multidão de jovens dos quatro cantos da cidade faz uma espécie de migração para um mesmo destino: a Avenida Champagnat. A partir das dez horas da noite até início da madrugada um formigueiro formado por adolescentes toma conta de uma das pistas. No meio da avenida, bebem, consomem drogas e se arriscam entre os carros e motos empinadas embalados pela disputa de quem tem o som mais potente no bagageiro do carro. Fazem da mureta que divide a avenida um banco, onde sobem e ficam em pé tentando se equilibrar enquanto tomam cerveja. Há cerca de quatro meses a Champagnat voltou a ter o cenário de décadas atrás, quando os jovens curtiam a noite em frente aos barzinhos. Para eles, é uma opção de lazer na cidade e ponto de encontro, mas para muitos é um verdadeiro tormento. Uma senhora de 68 anos mora com o marido na Rua João Quirino Souza, próximo à Champagnat, e sofre com o barulho e tumulto no local. “Tem muito maconheiro por aqui. Eles fumam e até fazem xixi na porta da gente. Nem abro a porta porque tem muito maconheiro. Aguento quieta”, disse ela, que pediu para não ser identificada. A dona de casa está irritada com a situação, mas não abre mão de morar naquela região. “Falaram para eu me mudar daqui, mas minha família que construiu essa casa, é herança do meu pai e quero continuar nela”. Quem passa esporadicamente pela via também fica inconformado com as cenas que presencia. “Vi muitos adolescentes fumando e bebendo. Tem muitas crianças andando com garrafas de vodka nas mãos. É errado, todo mundo sabe, mas ninguém faz nada. É como se não existissem autoridades e pais”, disse uma jovem de 31 anos, que mora no Portinari e costumava passear nos barzinhos da Champagnat. Ela e o namorado foram hostilizados pelos jovens. Ao buzinar para poderem passar na avenida e pedirem licença, eles chutaram o carro do casal. “Eles falaram que se a gente quisesse passar, era para comprar a rua”, disse ela, que deixou de frequentar o local. Outros clientes, segundo comerciantes, adotaram a mesma postura. Donos de bares e restaurantes recebem queixas constantes da clientela e já falam em queda de 20% no movimento por causa do tumulto na avenida às sextas-feiras. “A situação nos prejudica muito. Já reclamamos, mas não adiantou. Para nós, não trazem vantagem alguma porque não são nossos clientes, não consomem”, disse Adriano, dono de um bar tradicional na Champagnat. [FOTO2] Antônio Sílvio, 56, é segurança do estacionamento de um restaurante na avenida há três anos. Às sextas-feiras trabalha das oito horas da noite até três da madrugada e testemunha os problemas no local. “Tem muito menor bebendo. Usam cocaína, maconha, loló. Sempre querem usar a parede do restaurante como banheiro e tenho de interferir. Precisa haver uma fiscalização mais severa por parte da polícia, mais rondas para tentar inibir essas ocorrências”. A Polícia Militar, que já teve uma viatura danificada no local, tem feito operações na Avenida Champagnat e promete endurecer as ações para coibir o consumo de drogas, brigas e algazarra (leia no apoio).

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