Deus reúne o seu povo na Eucaristia e concede-nos a graça dos seus ensinamentos. Neste 4º domingo do tempo comum, a Palavra de Deus nos faz pensar: estou convencido de que Deus caminha comigo e é minha força?
Nos ilumina sobre a vida de caridade e nos faz pensar: será que é caridade doar as coisas que não uso mais? E será que ainda penso em me vingar dos meus inimigos e evitar aqueles que a Lei considerava impuros? A primeira leitura é um trecho do capítulo 1 do profeta Jeremias. O que podemos aprender?
Pode passar pela nossa cabeça a falsa idéia de que seu conteúdo não tem muito a ver conosco. Mas tem. Fomos igualmente consagrados por Deus desde nossa concepção. Chamados à vida, entre tantos outros que poderiam nascer em nosso lugar, Deus nos cumulou de bens que nem sempre deverão ser confundidos com atributos físicos. Claro que andar, ver, ouvir, sentir são dons de Deus. O mais importante, porém, são os dons interiores que carregamos no coração, e que foram ali lançados por Deus. São também dirigidas a nós as palavras finais da leitura: Estou contigo para te defender.
A segunda leitura é tirada do capítulo 12 da 1ª Carta de São Paulo aos cristãos de Corinto. A lição que vamos aprender tocará profundamente o nosso coração. O apóstolo Paulo nos aconselha a aspirarmos por dons mais elevados. E nos mostra o caminho. Há, porém, uma sugestão aparentemente contraditória em seus termos: se eu gastar todos os meus bens para sustento dos pobres mas não tiver caridade, isso de nada me servirá. Sem dúvida que ajudar os pobres é caridade. Mas isso pode ficar externo a nós. Pensamos, então: “dou uma esmola e estarei quite com meus irmãos necessitados!”. O verdadeiro amor não se resume apenas à esmola, mas compreende a doação de nós mesmos. Será principalmente em casa, com aqueles com quem convivemos todos os dias que teremos de exercitar a humildade de servir, como Jesus fez conosco.
Através do evangelho escrito por São Lucas, no capítulo 4, aprendemos que o modo como Deus é justo é bastante diferente do nosso. Um dos motivos da irritação dos patrícios de Jesus é porque achavam que o conheciam muito bem. Na verdade nada sabiam a respeito da verdadeira missão de Jesus. Também hoje há muitos de nós que julgamos conhecer bastante a doutrina de Jesus porque fizemos a primeira comunhão e a Crisma. Não frequentamos nenhum curso de atualização, sob pretexto de que já sabemos tudo. Quando ouvimos alguma interpretação da Palavra de Jesus diferente da que aprendemos em pequenos, escandalizamo-nos e nos encapsulamos no passado. Além disso, Jesus tinha omitido, em sua leitura de Isaías, a última parte que falava de vingança contra os inimigos. Além de pregar a salvação para todos, os enaltecera. Eles, porém, queriam salvação só para eles. Por isso queriam matá-lo.
Não é verdade que muitas vezes desejamos que Deus castigue os que erram? Acontece que a justiça de Deus não é como a nossa. Ele é justo para com aqueles que se afastam do caminho do bem porque, com seu amor, consegue salvá-los.
<b>XVI CONGRESSO</b>
Com o tema: “Eucaristia, pão da unidade dos discípulos missionários” e o lema: “Fica conosco, Senhor!” (CF - Lc 24,29), será realizado o próximo Congresso Eucarístico Nacional entre 13 e 16 de maio. O evento acontecerá em Brasília, por ocasião da comemoração dos 50 anos de inauguração da capital federal e da criação da Arquidiocese.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - <i>segantin@comerciodafranca.com.br</i>
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