As calamidades naturais, através de fenômenos físicos, demonstram a fragilidade do homem e sua pequena capacidade de defender, enfrentar e superar as tragédias que estão a ocorrer em todo mundo.
Durante milênios acreditava-se que os desastres naturais eram ‘castigos de Deus’, sendo impossível aos homens tentar prevenir e controlar. Hoje sabemos perfeitamente que a tecnologia pode e deve ser utilizada para amenizar consequências de tais eventos.
Estudo da Universidade do Arizona revela que no início da década de 1960 ocorriam no mundo 100 desastres naturais com vítimas por ano. Na década atual, são 500 por ano. Isso significa que os desastres naturais hoje vitimam cinco vezes mais pessoas que há 40 anos. O pior é que as estimativas dos pesquisadores apontam a tendência de aumento do número de vítimas na próxima década. Derretimento das geleiras, furacões, enchentes, inundações, secas, incêndios, ondas de calor etc., são fenômenos, que estão ligados diretamente às mudanças climáticas provocadas pelo homem, em sua busca por comodidade e de consumo excessivo e supérfluo. Tudo segue na trajetória prevista pelas estatísticas.
É interessante salientar que catástrofes proporcionalmente iguais em intensidade, causam mais vítimas em países pobres que em países ricos. A exemplo, temos o terremoto ocorrido em dezembro de 2003 no Irã, de 6,8 graus na escala Richter, vitimando mais de 30 mil pessoas, enquanto outro, ocorrido em setembro do mesmo ano, na ilha de Hokkaido, no Japão, com intensidade de 8 graus, deixou apenas alguns feridos. Nos países ricos e desenvolvidos os prédios são construídos com estruturas e alicerces preparados para resistirem a tais eventos naturais. Nos pobres, as áreas que geralmente sofrem as consequências dos fenômenos naturais são compostas por moradias construídas em finais de semana, com a maior redução de material possível em razão do custo da obra. É a combinação explosiva de materiais frágeis e fiscalização inexistente.
Inúmeras cidades brasileiras têm sido atingidas por catástrofes naturais a cada ano, principalmente, enchentes. A falta de interesse de boa parte dos governantes somada a estruturas urbanísticas inadequadas fazem inúmeros desabrigados e mortos. Todos os anos as promessas políticas são as mesmas mas, não se realizam. A falta de vontade política para prevenir e combater calamidades é clara e patente, bastando citar que dos R$ 645 milhões previstos no orçamento da União em 2009 para ações de prevenção de desastres, apenas R$ 135 milhões foram utilizados.
Em síntese, é necessário um planejamento urbanístico que, ao invés de ficar a cada ano reconstruindo o que foi destruído, se antecipe e no período das secas efetuem as obras necessárias e definitivas para prevenção. Na atualidade, as catástrofes não podem ser consideradas ‘castigos de Deus’, pois sabemos que a natureza possui regras perfeitas e imutáveis e nós seres humanos é que temos que nos adaptar a ela, sem querer modificá-las da maneira que entendemos mais convenientes para satisfação de nossa comodidade.
<b>CENTRO INTEGRADO</b>
Um Centro Integrado de Alerta de Desastres Naturais (CIADEN), foi inaugurado na cidade de Bauru/SP no início do mês de dezembro de 2009, com a finalidade de monitorar em tempo real e emitir alertas sobre furacões, tufões, chuva, granizo, enchentes, deslizamentos de terra, seca extrema com risco de incêndios florestais, quebra de safra por falta ou excesso de chuva etc. O monitoramento abrange 39 municípios da região. Se as informações forem passadas com a agilidade necessária e as cidades estiverem estruturadas para um pronto atendimento, com certeza muitas tragédias poderão ser evitadas ou minimizadas.
<b>PARA REFLETIR</b>
‘Deve haver sempre um meio constitucional de assegurar a execução das disposições constitucionais’ (Alexander Hamilton, 1755-1804, americano, político).
<b>Toninho Menezes</b>
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - <i>toninho menezes@comerciodafranca.com.br</i>
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