No dia 25 de janeiro, comemoramos 456 anos da fundação da cidade de São Paulo, capital do nosso Estado. Não cabe aqui enumerar as grandezas e mazelas de uma cidade que é a maior da América do Sul e que concentra as maiores riquezas do País já que os meios de comunicação se fartaram de proclamar tais atributos. Também não é o caso de nos esquecermos do quanto o conglomerado urbano - que os entendidos chamam de conurbação - cria situações calamitosas para moradores obrigados a viver, permanentemente, em situação risco, seja material, física ou psicologicamente. Apesar de tudo, salve São Paulo!
A fundação e as primeiras atividades da nossa capital são ainda motivos de estudo por parte dos espíritas em geral. Exatamente porque o fundador da cidade, o padre jesuíta Manoel da Nóbrega, segundo fidedignas informações espirituais a Chico Xavier, viria a ser mais tarde o nosso querido Emmanuel, orientador do trabalho do médium mineiro.
A fundação se dá com a criação de um colégio, mostrando, de imediato, a preocupação daquele benfeitor com a futura liderança nacional que seria exercida pelo Estado e pela Capital. Por outro lado, Chico Xavier adiantou a pessoas do seu círculo de convivência que, quando pensava na fundação da cidade e na instalação do colégio, Manoel da Nóbrega teria tido uma visão espiritual, na qual o próprio Apóstolo da Gentilidade, Paulo, lhe teria aparecido falando da importância da criação da cidade e do colégio e prenunciando as grandezas que o futuro reservava.
Vemos, assim, o mundo espiritual intervindo, pronunciadamente, no desejo do homem de criar, produzir, melhorar. Convém ressaltar que a ligação de Emmanuel com Paulo é muito grande. Como se sabe em Espiritismo, Emmanuel é o mesmo personagem que no romance Há 2000 anos, de sua autoria espiritual, ficou conhecido como senador Públiu Lêntulus. Depois, no livro 50 anos depois, também de sua autoria, vem a ser o escravo Nestório, já redimido pelo conhecimento do Cristianismo, tantas lições nos legando neste último romance mencionado. Mas, a sintonia de Emmanuel com Paulo fica ressaltada quando da publicação do livro Paulo e Estevão, no qual o mesmo Emmanuel relata a vida do Convertido de Damasco.
É tal a beleza da narrativa, tão emocionantes os lances ali narrados, que se vê a profunda identificação do espírito Paulo com o espírito Emmanuel. Muitos não espíritas que leem o romance, emocionam-se com a narrativa emmanuelina e se confessam admirados pelos ensinamentos e dados históricos que o mentor de Chico Xavier apresenta na obra citada. São informações de cunho histórico, geográfico, de costumes, sociais, informações e instruções que tornam o romance imperdível, como se diz atualmente.
Chico Xavier, psicógrafo das obras de Emmanuel, dizia que considerava cada livro como um filho, amando-os igualmente. No entanto, o livro que mais o impactava era Paulo e Estevão, para o qual, para estar sob a inspiração do seu mentor Emmanuel, muito se preparou, orando, meditando, sendo, finalmente, o instrumento fiel para tão grande obra.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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