O empresário Celso Pacheco Pimentel Júnior foi furtado quatro vezes num período de oito meses. O alvo foi a construção do seu imóvel que está sendo erguido no Residencial Meirelles, Zona Norte da cidade. Nos dois primeiros furtos, ele registrou boletim de ocorrência, mas, quando percebeu que não teria retorno, deixou de denunciar. O mais recente furto ao imóvel aconteceu na segunda-feira passada. Os ladrões levaram todos os fios de alta tensão. “É prejuízo, mas preferi nem ir atrás da polícia”, disse.
Levantamento informal do <b>Comércio</b> apontou que, de janeiro a dezembro de 2009, pelo menos 16 construções do bairro foram invadidas. Mas, esse número pode ser bem maior, já que o bairro é novo (foi lançado no início de 2008), está repleto de construções em andamento e é atrativo para os ladrões de fios, ferragens e ferramentas de trabalho dos pedreiros. No caso de Celso, os furtos somaram prejuízos de R$ 3 mil. Os trabalhadores da sua obra também ficaram sem os equipamentos.
Cansado, o empresário decidiu dormir no local. Há um mês tem passado suas noites em meio aos materiais de acabamento da casa. “Tive que colocar a cama no quarto que não estava acabado para proteger o que é meu”, reclamou Celso. “Não sou o único a reclamar. Todos por aqui, pelo menos os que conheço, já tiveram a construção invadida”.
A ousadia dos ladrões é grande. Eles chegam a arrancar os fios mesmo após a companhia ter ligado a energia. “No meu caso, levaram tudo que podia. Arrancaram por baixo das telhas até os que estavam instalados no chuveiro”, disse a proprietária de um imóvel que pediu anonimato. Como a mulher não está morando no imóvel, ela preferiu não fazer nova instalação. Também integra a lista daqueles que não prestaram boletim de ocorrência. “Achei que não adiantaria reclamar. Agora preferi esperar que mais pessoas mudassem para o bairro para, depois, colocar os fios novamente. Enquanto isso estou pagando taxa à CPFL por conta do poste”.
Apesar da resistência das vítimas em denunciar, o delegado do 5º Distrito Policial, Hélder Rodrigues, orientou as a procurarem a polícia. “Quando há a denúncia é aceso um sinal de alerta para o local. Trabalhamos em cima de estatísticas. Se as pessoas não fazem o registro, não é possível localizar o problema”.
Segundo o delegado, os investigadores dos furtos de fios percorrem os ferros-velhos da cidade e, muitas vezes, ele garante, o produto é localizado. “No 5º Distrito Policial, a gente tem tido muito sucesso. Só que realmente não é fácil. O fio é derretido muito rápido, mas gente tem batido muito em cima. Temos apreendido um grande número de fio elétrico (disse sem apresentar estatísticas), mas vai saber de quem é”.
Para os donos das construções, o que falta no Residencial Meirelles é policiamento preventivo para inibir a presença dos marginais. “A viatura chega à primeira rua do bairro e volta. A gente quase não vê policiamento por aqui. O jeito é cada um cuidar do que é seu”, disse a dona de um lote.
O capitão Trevisan, responsável pelo policiamento naquela área, rebateu as acusações e garantiu que há um trabalho ostensivo no local (leia em texto nesta página).
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