Continuando minha defesa pela importância da Educação, lembrei-me de fantástica experiência que alguns cidadãos árabes e judeus empreendem em Israel, nas escolas de Educação Árabe-Judaica implantadas desde 1997.
A criação desses centros ‘hand in hand’ (de mãos dadas) para a Educação Árabe-Judaica é uma iniciativa de paz. São escolas bilíngues e multiculturais onde ambos os povos aprendem, na mesma sala de aula, com dois professores falando árabe e hebraico. Os alunos, árabes e judeus, aprendem a valorizar sua cultura e língua e, ao mesmo tempo, aprendem a cultura do ‘outro’, bem como diferenças, respeitando-as.
Essas escolas provocam modificações muito maiores do que qualquer influência social ou decreto legal exigindo o fim de segregação racial/cultural existente. Estabelecem uma determinante positiva e fundamental na formação de crianças, cidadãs de um país mergulhado historicamente na guerra. Esses futuros cidadãos poderão fazer a diferença no futuro, desenvolvendo convívio pacífico e solidário entre seus povos. É a Educação possibilitando diálogo e construindo compreensão e tolerância.
Não tenho dúvidas de que em um futuro qualquer (acho uma tremenda bobagem fazer previsões futurísticas como muitos economistas e ‘entendidos’ ousam fazer, estabelecendo, inclusive, números exatos para tudo) haverá uma convergência cultural e social de todos os povos do mundo. Aspectos da globalização, como a internet e o intercâmbio cultural crescente, facilitarão esse processo.
Entretanto, para alcançarmos esse momento histórico ideal, temos que nos preparar. O caminho é árduo e lento; cheio de contratempos e de situações que se assemelham, muitas vezes, a retrocessos políticos e históricos, mas a humanidade tem uma dinâmica que, às vezes, surpreende. Parece que judeus e árabes já descobriram isso. O radicalismo e a segregação só serão combatidos se as novas gerações se conscientizarem de que as afinidades e possibilidades são maiores do que as diferenças.
Daí a importância da experiência dos centros ‘hand in hand’. A tradição, em Israel, é a maioria das famílias de judeus e árabes enviarem seus filhos para escolas segregadas. Essas escolas acabam promovendo posições rivais e atitudes que são exploradas pelos adeptos da violência. As escolas mistas respeitam as diferenças mas consolidam o sentimento de uma mesma nação entre os dois povos. Pode ser um importante passo para o convívio fraterno entre os judeus e os árabes que não querem deixar Israel, mesmo lutando pelo direito que os palestinos (árabes) possuem, de ter o seu próprio Estado. Essa experiência mostra ainda o quanto devemos investir, hoje, no futuro das próximas gerações, que farão diferença na construção de uma sociedade mais igualitária e sem discriminações de qualquer ordem.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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