A forte chuva na madrugada de ontem foi recorde em Franca nos últimos 49 anos, desde que a estação do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) foi instalada na cidade, em 1961. Em um único dia, entre as manhãs de terça e quarta-feira, choveu 109,2 milímetros. A última vez que a cidade registrou índice tão alto no intervalo de 24 horas foi há exatos dez anos. Por coincidência, o recorde anterior foi no dia 27 de janeiro de 2000, quando a estação mediu 102,2 milímetros. Com tanta água, mais prejuízos foram registrados no município.
Os dois casos mais graves foram deslizamento de terra na Vila São Sebastião e queda de um muro no Jardim Portinari que ameaçam famílias inteiras. Pontos de erosão e queda de um muro de arrimo também ocorreram no Jardim Luiza, mas não houve feridos. Ocorreu ainda um deslizamento num barranco na lateral da Rodovia Cândido Portinari. Raios e galhos de árvores provocaram a interrupção da energia elétrica nos Jardins Brasilândia e Palma por duas horas e por seis horas no Parque Miranda, Monte Carlo e Recanto da Fortuna, além de pane nos sinaleiros da Avenida Major Nicácio. Um forte raio que caiu na cidade por volta das 3 horas também assustou.
Durante a madrugada, os moradores da Vila São Sebastião escutaram um forte barulho, parecido com um trovão, mas só descobriram o que realmente havia acontecido quando amanheceu. O excesso de chuva aumentou a erosão nas laterais do córrego do bairro. O deslizamento de terra destruiu diversas árvores e ameaça casas. A voçoroca fica nos fundos dos imóveis da Rua Nadir Alves Pimenta e cinco famílias estão em risco. São 25 pessoas vivendo com medo. “O buracão arrastou 50 metros de terra. Dele até minha casa, só faltam 12 metros. Se der a mesma chuva desta noite, a terra vai levar nossas casas”, disse Luiz Lopes, 49.
Os moradores exigem ação do poder público. “Essa noite foi terrível. A Prefeitura tem de arrumar aqui porque meu genro comprou a chácara em terra, não comprou um buraco”, disse a dona de casa Aparecida de Morais, 72.
Moradora do Portinari, Ivone de Paula, 52, viveu drama parecido. Ontem percebeu logo pela manhã uma rachadura no muro nos fundos de sua residência, na Avenida Hotto Paiva. Ivone havia saído e, quando retornou, encontrou o muro despencado no chão da varanda. Ivone ficou nervosa porque já havia acionado a Prefeitura para avaliar o problema. “Ninguém fez nada. A Prefeitura só me fez promessas. Agora é fácil mandar eu sair da minha casa”, disse, chorando. Ivone permaneceu no imóvel. A Prefeitura interditou os fundos de quatro casas ameaçadas pelo barranco.
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O barranco na alça de acesso para a Rodovia Cândido Portinari (KM 404), na altura do Parque do Horto, desmoronou. A via ficou tomada pela terra, grama e partes de concreto durante boa parte da manhã. Ônibus precisaram desviar o trajeto. A Autovias avaliou a área e informou que não houve prejuízos na pista nem a veículos. Foi feito estancamento do barranco para evitar novos deslizamentos.
Para alívio dos francanos, as condições de chuva diminuem a partir de hoje.
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