Imputar o problema às empresas da cidade é um vício que a maioria dos francanos insiste em ter há tempos. O problema do aeroporto local, sob minha análise, é muito mais político e público que privado. Temos de entender que as empresas têm como objetivo cuidarem de suas gestões, e não de interesses públicos. Transferir o problema para as empresas é quase a mesma coisa que culpar a ‘falta de apoio do empresários a Francana porque o time vai mal e etc”. Na empresa na qual trabalho temos no momento, mais de 50 consultores vindo e voltando de diferentes origens semanalmente (Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo) e todos têm de usar o aeroporto de Ribeirão Preto. A questão é: alguma vez, a prefeitura de Franca buscou realizar um trabalho junto ao DAESP para apurar dados estatísticos ‘in loco’ no aeroporto de Ribeirão Preto e descobrir números efetivos sobre a demanda de voos de Franca e de sua região? Para onde os francanos voam? De onde procedem pessoas que chegam a Franca? Estão a passeio? A trabalho? Como uma empresa aérea, que obviamente visa lucros, pode realizar uma operação cara em uma cidade se sequer existem dados de demanda dos clientes? Outro ponto a ser discutido é o empenho das empresas de viagens que fecham pacotes com vôos fretados em outras cidades e etc. Qual a ordem lógica? Fretam em outras cidades porque é mais caro aqui, ou aqui é mais caro porque não há envolvimento e união das companhias de viagem? Se existe real interesse das forças públicas francanas (prefeitura, deputados), deve então partir delas o interesse em promover encontros, seminários e estudos para que a finalidade possa ser atingida. Da parte das empresas de viagens e turismo cabe-lhes trabalhar para que isso ocorra. União não pela operação de preços conjuntps, mas sim, para gerar pressão junto aos órgãos públicos e buscar alternativas. Afinal de quem é o maior interesse?
Márcio H. Ranhel Cândido
Franca - SP
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