O ato de tomar bebida alcoólica não faz bem para ninguém. A própria vida e estudos científicos comprovam os malefícios da ingestão de álcool. Até mesmo o consumo social acaba por afetar as pessoas. No entanto, a maioria não dá a mínima aos alertas e até finge desconhecer a ação maléfica de droga legal.
Nem todo mundo pode beber. Pela lei, o consumo de álcool se restringe aos adultos. No entanto, o que mais se vê por aí é um enorme contingente de menores alcoolizados. Muitas vezes, o vício começa em casa mesmo. Os próprios pais incentivam o primeiro gole. Se isso não ocorre, das festas ditas familiares poucos escapam. Depois, os colegas se encarregam do resto na rua.
Neste lance de beber, a mulher também segue o homem de perto. Atualmente a mulherada frequenta bar sem constrangimento algum. Deixou de se embebedar somente nas festas ou nas comemorações fechadas. Cada pessoa faz o que quer do corpo. Mas para o lado feminino a coisa se complica. No caso de gravidez, dois seres recebem as toxinas de álcool e, o que é pior, numa desproporção muito grande. Imagine o quanto uma mulher grávida, pesando de 60 a 70 quilos, consegue ingerir de bebida alcoólica. Os copos ou latas que entram pela boca da mãe se transformam em concentração narcótica no sangue. A composição tóxica vai para o cérebro e chega ao feto, que pesa poucos gramas, como se fosse uma injeção venosa.
Se a bebedeira continuar gravidez afora, o feto acaba por desenvolver a SAF (Síndrome Alcoólica Fetal), uma espécie de lesão congênita, que provoca várias alterações no desenvolvimento físico e posteriormente problemas motores, acompanhados de retardamento mental na criança. Sintomático, não? Basta observar os filhos de mulheres chegadas a uma bebida.
A SAF é uma doença sem cura e incide de três a seis vezes mais que a Síndrome de Down. Erradicar a moléstia está nas mãos das mulheres, ou melhor, está em fechar a boca para bebidas. O duro mesmo é constatar a desinformação, para não dizer ignorância. Muita gente imagina que a cerveja não é bebida alcoólica.
Numa conversa entre adolescentes, uma delas, grávida, soltou esta pérola: ‘Eu nunca consumi álcool, só cerveja’. Quanta falta de informação. A inocente cerveja está no mesmo patamar alcoólico da cachaça, do vinho ou do uísque. O teor de 5% de álcool inscrito no rótulo da ‘loirinha’ corresponde à mesma porcentagem contida nas outras bebidas.
Tudo é uma questão de ótica. Tanto faz um copo de cerveja, meia taça de vinho ou uma dose de pinga. O álcool não se altera. Embriaga do mesmo jeito e provoca os mesmos males orgânicos. A única diferença está na quantidade. A cerveja só faz a pessoa engolir mais líquido, antes de embebedar-se. Por isso, o homem passa a ostentar aquele barrigão balofo, como se estivesse grávido. O mesmo vale para a mulher, que pode até ter uma gravidez indesejada, fruto de um momento de intensa embriaguez.
Desejada ou não, caso continue bebendo, a criança vai nascer com a SAF. E a culpa será de Deus...
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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