‘Hai’-de-Ti, e de nós


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Cristovão Colombo, na época do descobrimento da América, deu o nome de ilha Hispaniola ao que hoje conhecemos como o Haiti e República Dominicana. O Haiti foi colonizado pela extrativista França até sua independência em 1804. Foi um dos primeiros países a se libertar de seus colonizadores. Sua população é basicamente formada por negros africanos trazidos para o cultivo da cana de açúcar. Registra, em toda a sua história marcas de tragédias de origem natural, como terremotos muito violentos segundo a Escala Richter. O assunto já foi exaustivamente tratado pela mídia. Há, no entanto, alguns outros pontos que merecem reflexão mais profunda. Até a catástrofe natural, estava sob a jurisdição da ONU - Organização das Nações Unidas, com a chamada Força de Paz liderada e administrada pelo Brasil. Esta força desempenha o papel de polícia naquele país, o que por si só já é contradição, pois no próprio Brasil quando se solicita a utilização das Forças Armadas para exercer o poder de polícia, a negativa é dada alegando-se que essa não é sua função. Ora. Se não é função das Forças Armadas exercerem tal atividade em território brasileiro, também não deveria fazê-lo em solo estrangeiro. A ONU demonstrou, nos momentos pós terremoto, que não tem condições nem competência para resolver problemas básicos, não possuiu e nunca se preocupou em ter infra-estrutura adequada para momentos de catástrofes mundiais. O Brasil, por sua vez, queira ou não, com suas Forças Armadas sucateadas, se envolveu em um problema maior ao apoiar a ‘aventura da ONU’, ficando no meio de um ‘fogo cruzado’. O governo brasileiro, nomeado como administrador da meia ilha chamada Haiti, foi tacitamente retirado do comando com a chegada dos americanos. A perda do controle do aeroporto foi a prova maior de que quem manda no Haiti hoje não é a ONU, e sim a tropa americana, que imediatamente mobilizou navio-hospital e porta-aviões para dar apoio logístico etc. Agora, a ONU pede o envio de mais soldados brasileiros para o Haiti, mas para quê? Será que é apenas para se sobrepor ao número enviado pelos americanos? A situação agora é humanitária e não de poderio militar. É hora dos dirigentes da ONU pensarem em se preparar logisticamente para dar uma satisfação às necessidades que advirão pelos próximos anos, mundo afora... Outro ponto polêmico que gostaríamos de comentar trata do envio de dinheiro ao Haiti. Os países de primeiro mundo anunciaram doações consideradas normais. Já o governo brasileiro, de imediato, liberou US$ 15 milhões às vítimas do terremoto no Haiti. Para as cidades brasileiras devastadas pelas chuvas do final de ano, ainda não foi depositado nenhum centavo. As prefeituras que se virem como possam. Para liberar dinheiro, o governo federal exige documentos e projetos. A rapidez na liberação de recursos ao Haiti foi algo de causar inveja a qualquer administração pública mundial. O grande problema, nobre leitor, é que para o envio de doações a outros países, grande parte dos recursos são enviados através de ONG’s - Organizações não governamentais, que se dizem de trabalho voluntário e humanitário mas, a maioria é formada ou é ligada a partidos políticos. O governo federal, mesmo sendo questionado em CPI’s - Comissões Parlamentares de Inquérito, nunca informou quantas e quais são as ONG’s que recebem dinheiro público no exterior. Enfim, para simplificar, o envio de dinheiro ao Haiti tem que ser muito bem rastreado e fiscalizado. Desconfiados que somos, não queremos que tais recursos se tornem fonte de caixa de campanha presidencial. A oportunidade é, aliás, excelente para tal finalidade. Acreditamos que o Poder Executivo deveria desnudar a forma como estão sendo enviados tais recursos, os nomes da ONG’s beneficiadas, os projetos e as prestações de contas para os cidadãos brasileiros. A propósito, assistindo a programa de rede de televisão britânica, o âncora não cansava de questionar: “I only want to know where is the money” (eu somente quero saber onde está o dinheiro). Isto é, em resumo, o que todos nós, brasileiros, também queremos saber: onde está o dinheiro brasileiro enviado, não se sabe por quem e para quem, até o Haiti. A COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE Foi publicado no Diário Oficial da União novo decreto para criar a Comissão Nacional da Verdade, alterando o decreto anterior e suprimindo a expressão ‘repressão política’. Temos que ter muito cuidado, pois a Comissão da Anistia, que era a antecessora, apenas concedeu indenizações milionárias. A história referente ao período de 1964 a 1985, em sua maioria, foi tendenciosa, produzindo uma ‘verdade’ que distorce os reais acontecimentos ao doutrinar que a elite nacional, por mero prazer, incumbiu as Forças Armadas de perseguir, prender e martirizar os ‘defensores da democracia’. Esquecem-se de simultaneamente trazer e revelar que tal período não pode ser analisado isoladamente, devendo ser considerada a chamada ‘Guerra Fria’ e o movimento comunista que se utilizava da luta armada, para instituir ditaduras em todo o mundo. Há que se dizer que muitos eram os chamados ‘inocentes úteis’, que participavam sem saber porquê. As lideranças lutavam por um regime muito pior do que aquele que combatiam, que era um regime totalitário, praticando incontáveis assaltos, sequestros, executando centenas de civis e militares, além de fazer ‘justiça com as próprias mãos’ contra os próprios companheiros e adversários. Obviamente não concordamos com os excessos praticados por ambos os lados, mas querer restaurar ódios, aproveitando-se da falta de cultura histórica da maioria dos brasileiros, não nos parece ser a melhor política para o momento. Toninho Menezes Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninho menezes@comerciodafranca.com.br

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