Casamento


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O casamento não é um fim, é um meio. Quando o homem e a mulher pretendem contrair matrimônio, em regra, é porque ambos se gostam, têm afinidade suficiente, creem que a vida a dois será boa e que estão preparados e dispostos a ter filhos e formar uma família. Porém, se lhes falta noção da substancial diferença entre a vida de casado e a de solteiro, melhor esperar. Também é essencial ter em mente que uma relação sadia não se faz por si mesma, precisa ser construída. Ao invés de ver no outro a pessoa que lhe pode dar felicidade, é preciso vê-lo como a pessoa a quem se quer dar felicidade. É necessário ter disposição mais para dar do que para receber. Casamento é amor. E amor é entrega. Quando se ama, a felicidade está mais no que se faz pelo outro do que naquilo que se espera ganhar. É sentir-se feliz por fazer o outro feliz. `Quero te conquistar um pouco mais e mais a cada dia / Satisfazer sua vontade também me sacia...` (Tudo com você, de Lulu Santos e Fausto Nilo). Não vamos exagerar a ponto de dizer que é dar tudo sem esperar nada em retribuição. Isso pode ocorrer no amor materno, no fraterno etc, mas na relação homem e mulher, sejamos realistas, quem ama quer ser correspondido. A decisão de casar, portanto, pressupõe reciprocidade com base na qual cada um acredita que terá do outro o apoio, o carinho, a compreensão e o mais de que precisar. Todavia, como se diz no futebol, `treino é treino, jogo é jogo`. É na constância do casamento, principalmente depois da vinda dos filhos, que o casal é posto à prova. Quando se casa, além do cônjuge, vêm também vários compromissos e responsabilidades próprios do novo estado civil. Fazem parte do pacote. Para quem quer mesmo casar, isso não é problema. O matrimônio, com as obrigações e seus desafios mil, a necessidade de pôr em prática bons sentimentos, de ser exemplo para os filhos etc., é campo fértil para crescer como ser humano, lapidar o espírito, realizar-se como pessoa. Essa realização, porém, requer sacrifícios que só quem tem amor é capaz de fazer. O amor precisa ser alimentado e posto em prática, exercitado, pois é isso que o faz subsistir, desenvolver-se. A relação do casal tem de ser sólida, sadia, ele e ela precisam manter-se juntos, e isso é muito mais do que estar sob o mesmo teto e dormir na mesma cama. Muitos casamentos perdem a graça porque os cônjuges deixam de lado a intimidade e a afetividade próprias do namoro, abandonam o romantismo. Parece que o fato de já estarem casados torna dispensáveis a atenção, a amabilidade, o carinho. Antes, os dois ficavam se agarrando pelos cantos. Neles havia encantos. Agora cada um fica sozinho no seu canto. Há desencantos. Resignados, distanciam-se. E o desinteresse um pelo outro parece tomar conta. Apaga-se o brilho no olhar. Os abraços e beijos, brincadeiras e sorrisos, as galanterias, outrora abundantes, escasseiam. Eis o erro. As pessoas casam-se para ficar mais tempo juntas. Se as oportunidades não aparecem, precisam ser criadas, sob pena de o casamento acabar ou tornar-se fastidioso. Quando ambos se propõem a conviver pelo resto da vida, que seja mesmo todo esse tempo, mas por vontade própria, por amor, e não por obrigação. Há muito a dizer. Continuarei na próxima semana. Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro Pensando na Vida – paulopereiracosta@uol.com.br

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